Exército Brasileiro incorpora mulheres como recrutas pela primeira vez na história
O Comando Militar do Leste (CML) deu início, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, a um capítulo histórico para as Forças Armadas do Brasil. Pela primeira vez, mulheres foram incorporadas como recrutas no serviço militar, marcando a entrada feminina na base da carreira do Exército. Este evento simbólico ocorreu no Rio de Janeiro, com a seleção de 159 voluntárias, inaugurando um processo seletivo específico e voluntário para o sexo feminino.
Processo seletivo e igualdade de condições
A etapa presencial de seleção foi realizada em locais emblemáticos, como o Palácio Duque de Caxias, sede do CML. As candidatas passaram por conferência documental, avaliações de saúde e entrevistas, estabelecendo um novo padrão para o recrutamento militar. Diferentemente do alistamento masculino, que é obrigatório, as jovens nascidas em 2007 ingressaram por opção própria, sem penalidades para as que não se alistarem. No entanto, uma vez aprovadas e incorporadas, o serviço militar se torna obrigatório para elas.
O Exército garante plena igualdade de condições às novas recrutas. Elas terão os mesmos direitos e responsabilidades dos homens, incluindo:
- Salário equivalente
- Plano de saúde
- Auxílio-alimentação
- Contagem de tempo para aposentadoria
- Todos os benefícios previstos na Lei do Serviço Militar
- Acréscimo da licença-maternidade
Distribuição e expansão do programa
As primeiras soldados serão distribuídas em unidades de saúde, ensino e apoio dentro do Exército, demonstrando a diversificação de funções disponíveis. O CML, que também é responsável por tropas no Espírito Santo e em Minas Gerais, já tem previsão de expandir o programa. Estão planejadas incorporações adicionais de 63 mulheres, com 37 em Juiz de Fora e 26 em Belo Horizonte, reforçando a presença feminina em diferentes regiões do país.
Meta de longo prazo e contexto histórico
Este marco é parte de uma meta ambiciosa de longo prazo, que visa atingir 20% de efetivo feminino no contingente de soldados até o ano de 2035. Atualmente, mulheres já atuam no Exército como oficiais e praças em diversas funções, incluindo áreas operacionais, de liderança, chefia, comando, saúde, administração e até na linha bélica. O major Hugo Chermann, porta-voz do Serviço Militar Feminino no Rio, destacou a importância deste momento, afirmando que ele reforça a valorização das mulheres nas fileiras militares.
A iniciativa representa um avanço significativo na inclusão de gênero nas Forças Armadas brasileiras, promovendo diversidade e igualdade de oportunidades. Com este passo, o Exército não apenas moderniza suas práticas, mas também se alinha com tendências globais de maior participação feminina em instituições de defesa.