Trump intensifica pressão por corte de juros após derrota em investigação contra presidente do Fed
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (16 de março de 2026) que o Federal Reserve, banco central americano, deveria realizar uma "reunião especial" para cortar as taxas de juros "agora mesmo". A declaração ocorre apenas três dias após um juiz federal ter bloqueado intimações emitidas em uma investigação conduzida pelo governo Trump contra o atual presidente do Fed, Jerome Powell.
Decisão judicial protege independência do banco central
Na última sexta-feira (13), o juiz James Boasberg, da Corte Distrital de Columbia, atendeu ao argumento de Powell ao determinar que as intimações tinham propósito inadequado e eram juridicamente inválidas. Segundo o magistrado, a investigação buscava pressionar indevidamente o banco central a reduzir as taxas de juros.
"O governo não apresentou qualquer prova de que Powell tenha cometido qualquer crime além de desagradar o presidente", escreveu Boasberg em sua decisão. "O governo bem que poderia investigá-lo por fraude postal só porque alguém o viu enviar uma carta."
Conflito político e monetário se intensifica
A procuradora federal Jeanine Pirro, responsável pela investigação sobre possíveis custos excessivos nas reformas da sede do Fed, anunciou que o Departamento de Justiça recorrerá da decisão. Pirro, indicada por Trump no ano passado, acusou Boasberg de ultrapassar sua autoridade e proteger Powell de investigações legítimas.
Os acontecimentos deixam em aberto tanto a investigação envolvendo Powell quanto a intenção de Trump de nomear o ex-governador do Fed Kevin Warsh para assumir o comando da instituição quando o mandato de Powell terminar, em meados de maio. Warsh é considerado mais favorável a cortes nas taxas de juros.
Histórico de tensões entre Trump e Powell
Desde que reassumiu a presidência no ano passado, Trump tem pressionado o Fed a reduzir as taxas de juros de forma mais rápida e intensa. Powell, porém, mantém uma postura mais cautelosa na condução da política monetária, diante das contínuas preocupações com a inflação.
Trump nomeou Powell durante seu primeiro mandato, mas desde então tem atacado publicamente o presidente do Fed, chegando a chamá-lo de "imbecil". O juiz Boasberg concordou com Powell sobre a natureza política da investigação, afirmando que uma "montanha de evidências" indicava que as intimações tinham como objetivo pressionar o presidente do Fed a reduzir as taxas ou renunciar.
Republicanos defendem Powell no Senado
Senadores republicanos têm se posicionado em defesa de Powell. O senador Thom Tillis prometeu usar sua posição na Comissão Bancária do Senado para barrar qualquer nova nomeação para o Fed enquanto a investigação estiver ativa, afirmando que as declarações feitas por Powell ao Congresso não configuram crime.
A mesma avaliação é compartilhada por outros republicanos na Comissão Bancária, incluindo seu presidente, Tim Scott, que conduziu o interrogatório de Powell sobre as reformas que são o foco da investigação de Pirro.
Outros conflitos judiciais envolvendo o Fed
Como parte de sua pressão sobre a liderança do banco central, Trump tentou, em agosto passado, demitir a governadora do Fed, Lisa Cook, usando alegações não comprovadas de fraude hipotecária como justificativa. Foi a primeira tentativa de um presidente de destituir um integrante do Conselho de Governadores do Fed desde a criação do banco central, em 1913.
Cook afirmou que as acusações foram apenas um pretexto usado por Trump para removê-la devido a divergências sobre política monetária. Em 21 de janeiro, juízes da Suprema Corte demonstraram ceticismo diante da tentativa, mas o tribunal ainda não deu uma decisão final sobre o caso.
Revés judicial para Departamento de Justiça
A decisão de sexta-feira representa mais um revés judicial para o Departamento de Justiça sob Trump, que continua investigando críticos e opositores do presidente. Em novembro, um juiz rejeitou as acusações contra o ex-diretor do FBI James Comey e contra a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, ambos responsáveis por investigações anteriores envolvendo Trump.
Boasberg, indicado pelo ex-presidente democrata Barack Obama, escreveu em sua decisão que ser um adversário político de Trump "se tornou arriscado nos últimos anos". O magistrado já entrou em conflito diversas vezes com o governo Trump nos casos que supervisionou, e o presidente chegou a pedir ao Congresso, no ano passado, que iniciasse um processo de impeachment contra ele.
