Ex-ministra do Planejamento faz alerta sobre futuro fiscal do Brasil
Recém-saída do Ministério do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet emitiu um alerta contundente sobre as contas públicas brasileiras. Após migrar do MDB para o PSB, onde deve concorrer a uma vaga no Senado por São Paulo apoiando a reeleição do presidente Lula, a ex-ministra afirmou que o próximo governo terá que implementar um ajuste fiscal mais rigoroso a partir de 2027.
Transição partidária e projeção política
Há pouco mais de uma semana, Tebet deixou a pasta da Esplanada após quase trinta anos de militância no MDB. Sua mudança para o PSB marca uma nova fase em sua trajetória política, com planos de disputar uma das duas vagas no Senado pelo estado de São Paulo. Em entrevista à VEJA, ela destacou que, apesar de apoiar a gestão de Lula, o país enfrentará desafios fiscais significativos no próximo mandato presidencial.
O diagnóstico fiscal: renúncias tributárias como chave
A ex-ministra foi enfática ao apontar as renúncias fiscais como elemento central para qualquer ajuste futuro. "As renúncias fiscais giram em torno de 520 bilhões de reais. Fora renúncias creditícias e financeiras, que, aí, o total chega a quase 800 bilhões de reais", explicou Tebet. Ela argumentou que filtrar apenas 10% desse montante anualmente poderia gerar entre 50 e 60 bilhões de reais para reduzir a dívida pública.
Tebet reconheceu que Lula tentou avançar nessa pauta, mas enfrentou resistência do Congresso Nacional. "O presidente queria fazer, mas não teve apoio do Congresso", lamentou. A ex-ministra também mencionou a aprovação da chamada "PEC da Gastança" em dezembro de 2022, que abriu espaço fiscal de 168 bilhões de reais no orçamento de 2023.
Defesa da gestão atual e limites do arcabouço fiscal
Apesar do alerta sobre o futuro, Tebet defendeu o trabalho realizado na área fiscal durante o terceiro mandato de Lula. Ela destacou que o novo arcabouço fiscal estabelece regras rigorosas, incluindo a limitação do aumento de despesa a 70% do ganho de receita e teto de crescimento real de 2,5% em relação ao ano anterior. "Isso fez com que, nesses últimos três anos, o governo diminuísse o déficit fiscal significativamente", afirmou, citando inclusive as excepcionalidades como as enchentes no Rio Grande do Sul.
Janela de oportunidade pós-eleitoral
Para a ex-ministra, o momento ideal para implementar mudanças estruturais será após as eleições presidenciais. "A janela de oportunidade para fazer esse ajuste vai ser pós-eleição", declarou Tebet. Ela enfatizou que qualquer candidato que assuma o governo federal terá nos gastos tributários a grande saída para equilibrar as contas públicas, sem necessidade de cortes lineares drásticos, mas com filtragem inteligente das renúncias existentes.
A análise de Tebet combina defesa da gestão atual com alertas realistas sobre desafios futuros, posicionando-se como voz técnica em meio ao debate político sobre o destino fiscal do Brasil nos próximos anos.



