O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acertou política e diplomaticamente ao adotar o princípio da reciprocidade contra os Estados Unidos, cassando as credenciais de um militar americano e convidando-o a deixar o Brasil. No entanto, os dividendos políticos dessa ação não são tão fortes quanto no ano passado, quando o tarifaço imposto por Donald Trump gerou ampla mobilização nacional.
Contexto da reciprocidade
O governo brasileiro decidiu pela reciprocidade após a expulsão de um delegado brasileiro pelos Estados Unidos. A medida segue a posição do presidente Lula de não aceitar ações unilaterais americanas contra o Brasil. Além disso, a medida busca capitalizar politicamente, já que Trump é mal avaliado no país.
Comparação com o tarifaço
Segundo interlocutores de Lula e um estudo da Ativaweb DataLab, o caso envolvendo Alexandre Ramagem não mobiliza tanto quanto o tarifaço. Em julho de 2025, o tarifaço de 50% gerou mais de 5,9 milhões de menções nas redes sociais, com 58% criticando a medida, criando unidade nacional. Já em abril de 2026, o discurso atual de Lula contra os EUA gerou 3,1 milhões de menções, mas com 77% negativas, 11% positivas e 12% neutras.
O diretor da Ativaweb DataLab, Alek Maracajá, afirma que o tarifaço impactou concretamente a economia brasileira, afetando empresários e trabalhadores, e reforçou a defesa da soberania nacional, colocando Eduardo Bolsonaro como vilão. Já o caso Ramagem é visto como um discurso político e institucional, sem impacto econômico direto, e não conseguiu furar a bolha ideológica.
O estudo aponta que, embora Lula tenha agido corretamente ao adotar a reciprocidade, a repercussão nas redes mostra que o tema não gera a mesma comoção que medidas econômicas concretas.



