Operação da PF contra Ciro Nogueira vira munição eleitoral no DF
PF contra Ciro vira cartada eleitoral no DF

A nova fase da operação Compilance Zero, da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (7) com mandados de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), rapidamente se transformou em uma cartada eleitoral no Distrito Federal. Opositores da governadora Celina Leão (PP) passaram a relacioná-la a Nogueira, que preside o Partido Progressistas.

Reações da oposição

O deputado federal e ex-governador do DF Rodrigo Rollemberg (PSB) foi o primeiro a fazer essa associação nas redes sociais logo no início da manhã. Em sua publicação, ele escreveu: “Ciro Nogueira, homem do [Banco] Master no Congresso Nacional, presidente do partido da Celina Leão, amigo íntimo de Ibaneis [Rocha], que indicou Paulo Henrique [Costa] para presidir o BRB, foi alvo hoje da Polícia Federal. Quem serão os próximos? A população do DF aguarda ansiosa a prisão e devolução do dinheiro daqueles que roubaram o BRB”.

O senador Izalci Lucas (PL-DF), que se coloca informalmente como pré-candidato ao governo do DF, também fez a mesma conexão em mensagem enviada à VEJA. “O Ciro é presidente do PP, partido da governadora Celina Leão, que é ligada umbilicalmente a ele. O Ciro coloca Brasília como um balcão de negócios. Além das participações em ações do governo federal, ele interfere na gestão aqui do DF. No relatório que fiz sobre a COVID no DF, mostrei a ligação dele com relação à saúde do Distrito Federal. Havia relação com Francisco, ex-secretário de Saúde do DF. Ele foi preso na época. Agora, há também a ligação com Paulo Henrique Costa, que teria sido indicado por ele. Tenho certeza de que, com as delações que estão acontecendo, vamos conseguir chegar aos envolvidos neste esquema. Um esquema que pode ter quebrado o BRB, o banco que é dos brasilienses”, afirmou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Izalci Lucas não é candidato oficialmente ao governo brasiliense porque o diretório local, comandado pela deputada Bia Kicis (PL-DF) e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), tem dado apoio a Celina Leão e repreendido as posições do senador — que teve sua candidatura à reeleição ao Senado inviabilizada por elas.

Detalhes da operação

Na operação desta quinta-feira, a PF cumpre ordens expedidas pelo ministro André Mendonça, do STF, e mira investigados no Piauí, em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O senador e ex-ministro Ciro Nogueira é um dos alvos. Raimundo Nogueira, irmão do cacique bolsonarista, também sofreu buscas e terá de usar tornozeleira eletrônica. O primo de Daniel Vorcaro, Felipe Vorcaro, é alvo de mandados em Trancoso, na Bahia, e foi preso temporariamente.

Mendonça proibiu o senador bolsonarista de manter contato com os demais investigados e testemunhas. Nogueira não foi alvo de ordem de prisão nem de uso de tornozeleira. Além das pessoas físicas, quatro empresas (CNLF Empreendimentos, BRGD S.A., Green Investimentos e Green Energia FIP) tiveram suas atividades suspensas.

Suspensão de repasses mensais

A ação contra Nogueira ocorre porque a PF descobriu que ele recebia repasses mensais de 300 mil reais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Há suspeita de que essa espécie de mesada tenha aumentado para 500 mil reais. A VEJA tenta contato com a governadora Celina Leão, que ainda não se pronunciou publicamente sobre a situação de Ciro Nogueira.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar