O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) rebateu críticas de que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 teria caráter eleitoral. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, o parlamentar afirmou que a medida é resultado de um debate antigo e necessário sobre a modernização das relações de trabalho no país. “Proposta não é eleitoral, é estrutural”, disse.
Autor da PEC defende maturidade do projeto
Autor da PEC, apresentada em 2019, Lopes argumentou que o tema já vinha sendo discutido muito antes do atual ciclo eleitoral. Segundo ele, a iniciativa amadureceu ao longo dos anos e agora encontra um ambiente mais favorável para avançar no Congresso. “Esse projeto está maduro”, afirmou. Ao responder diretamente às críticas de populismo, o deputado defendeu que parlamentares devem se posicionar de forma clara sobre temas relevantes. “A sociedade precisa conhecer o que pensam seus deputados e senadores”, declarou, ao afirmar que o debate público não pode ser evitado por causa do calendário eleitoral.
Detalhes da proposta e benefícios esperados
A proposta defendida por Lopes prevê o fim da escala 6×1 e a adoção da jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso. De acordo com ele, a medida busca beneficiar principalmente trabalhadores mais vulneráveis, que ainda não conseguiram reduzir a carga horária por meio de acordos coletivos. O parlamentar também contestou a ideia de que a mudança teria impacto econômico significativo. Segundo ele, estudos indicam efeitos médios limitados sobre os custos das empresas, ao mesmo tempo em que apontam ganhos em produtividade e qualidade de vida. “O impacto é pequeno e os resultados são enormes”, disse.
Diálogo com setor produtivo e transição
Apesar das resistências de parte do setor produtivo, Lopes afirmou que o texto final será construído com diálogo e possibilidade de transição para segmentos mais afetados. “O que nós podemos discutir é uma transição”, afirmou, ao destacar a necessidade de ouvir diferentes setores da economia. O deputado citou ainda que a jornada de trabalho mais curta já é realidade em grande parte dos setores, o que, segundo ele, reforça a viabilidade da proposta. Para Lopes, a PEC consolida uma tendência já presente no mercado de trabalho brasileiro.



