A oposição ao governo Lula encontra-se em uma posição delicada e não vislumbra espaço político para votar contra a Medida Provisória que elimina a taxa sobre as chamadas blusinhas. Aliados dos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas reconhecem que até mesmo os grupos políticos ligados a Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, dentro do Congresso Nacional, serão forçados a apoiar a medida populista adotada pelo petista a apenas cinco meses das eleições.
Na última segunda-feira, Lula anunciou o fim da cobrança do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares, que era realizada por meio do programa Remessa Conforme. Uma edição extra do Diário Oficial da União foi publicada, contendo a MP e uma portaria do Ministério da Fazenda que regulamenta a nova regra. A iniciativa já vinha sendo debatida nos bastidores do governo havia semanas, e o desfecho representou uma vitória significativa da ala política do governo Lula.
Essa ala vinha alertando o presidente sobre os possíveis impactos negativos que uma manutenção da cobrança poderia ter sobre seus índices de popularidade, os quais atravessam um momento turbulento nos últimos meses. Diante desse cenário, opositores do petista admitem que a jogada foi uma verdadeira tacada de mestre e que a decisão pode determinar uma melhora na performance de Lula nas pesquisas de intenção de voto e nos índices de aprovação do governo.
Para não deixar a narrativa favorável apenas a Lula, os opositores devem votar a favor da MP, buscando compartilhar a paternidade da iniciativa, que tende a agradar boa parte do eleitorado. A expectativa é que a medida tenha impacto direto no bolso do consumidor, especialmente entre os jovens e a classe média, que são grandes usuários de compras internacionais de baixo valor.



