Governo Milei vence batalha legislativa e aprova reforma trabalhista na Argentina
Milei aprova reforma trabalhista após tensa sessão na Câmara

Governo de Javier Milei conquista aprovação da reforma trabalhista após intensa batalha legislativa

Na madrugada desta sexta-feira (20), o governo do presidente argentino Javier Milei alcançou uma vitória crucial ao obter a aprovação da sua reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. Esta foi uma das principais batalhas legislativas do ano, marcada por tensões e debates acalorados.

Detalhes da votação e próximos passos

A proposta foi aprovada por 135 parlamentares, enquanto 115 votaram contra. No entanto, o projeto ainda precisará retornar ao Senado devido à remoção de um artigo específico que reduzia a remuneração durante licenças médicas. A semana anterior já havia testemunhado a aprovação no Senado, mas com mais de vinte modificações ao texto original.

O extenso documento, composto por mais de duzentos artigos, introduz mudanças significativas no mercado de trabalho argentino. Entre as principais alterações estão a redução das indenizações por demissão, a possibilidade de fracionar as férias em períodos menores e a ampliação da jornada de trabalho.

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Oposição e defesa do governo

A oposição, liderada por kirchneristas, partidos de esquerda e sindicatos, classificou a reforma como "regressiva" e "anticonstitucional", prometendo contestar sua validade. Eles argumentam que a medida representa uma transferência de riqueza que prejudicará profundamente os trabalhadores.

Por outro lado, o governo defende que a reforma é essencial para combater a informalidade no trabalho, que afeta mais de quarenta por cento do mercado, e para gerar novos empregos. O governismo chegou à sessão confiante, focando a discussão em possíveis efeitos sobre o Fundo de Assistência Trabalhista (FAL) e o sistema previdenciário.

Clima de tensão e protestos

A sessão legislativa, que começou às quatorze horas de quinta-feira (19), ocorreu em um ambiente de extrema tensão. Enquanto os deputados debatiam, manifestantes e forças policiais se enfrentavam na Praça dos Dois Congressos, no centro de Buenos Aires.

O dia também coincidiu com uma greve geral de vinte e quatro horas, convocada pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT), a quarta desde o início do governo Milei. Trabalhadores de diversas categorias, incluindo motoristas de ônibus, bancários e professores, se reuniram perto do Parlamento.

Os confrontos se intensificaram quando parte dos manifestantes começou a jogar garrafas na polícia, que respondeu com jatos d'água e gás de pimenta. A situação resultou na dispersão da mobilização e na detenção de pelo menos catorze pessoas até o final da noite.

Críticas internas e posicionamentos

A oposição não se limitou aos partidos tradicionais. Membros do bloco União pela Pátria (peronismo) atacaram o projeto e criticaram uma minoria peronista que o apoiou. O deputado Miguel Ángel Pichetto afirmou que o texto não representa uma modernização do trabalho e alertou sobre a ausência de benefícios para os trabalhadores.

Pablo Juliano, de uma facção dissidente da União Cívica Radical (UCR), ecoou essas críticas, declarando que sua identidade política o impedia de apoiar a reforma. Até mesmo membros do Províncias Unidas se opuseram à medida.

Contexto internacional e expectativas

Enquanto a tensão dominava as ruas de Buenos Aires, circulou nas redes sociais um vídeo do presidente Milei cantando um trecho da música "Burning Love", de Elvis Presley, ao lado do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Milei viajou aos Estados Unidos para participar da primeira reunião do Conselho de Paz convocado por Donald Trump.

O governo deseja sancionar a reforma trabalhista até o início de março, quando as sessões ordinárias do Congresso serão retomadas. As principais mudanças incluem a extensão da jornada diária, a divisão das férias, alterações nas indenizações e novas regras para horas extras e estatutos profissionais.

Esta aprovação representa um marco significativo para a agenda econômica de Milei, mas promete continuar gerando debates e conflitos no cenário político e social argentino.

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