Lula zera PIS e COFINS sobre diesel para conter inflação em ano eleitoral
Lula zera impostos sobre diesel para conter inflação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que zera os impostos federais PIS e COFINS incidentes sobre o diesel, em uma decisão estratégica anunciada nesta semana. A medida tem como objetivo principal sinalizar ao Banco Central que o governo federal está atuando para conter eventuais impactos inflacionários provocados pela recente alta do preço do petróleo no mercado internacional.

Contexto inflacionário e preocupação política

A preocupação central do Palácio do Planalto é evitar que o aumento dos preços do petróleo, impulsionado pela instabilidade geopolítica global, se traduza rapidamente em inflação doméstica no Brasil. Esse cuidado ganha um peso extra considerando que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está marcada para a semana que vem, onde serão discutidas as taxas de juros e a política monetária do país.

O momento é particularmente delicado do ponto de vista político, pois o país se encontra em um ano eleitoral. Historicamente, a inflação costuma ter um impacto direto e significativo na avaliação popular dos governos, especialmente quando afeta itens essenciais do dia a dia, como combustíveis e serviços de transporte. A percepção em Brasília é clara: inflação e popularidade governamental tendem a caminhar juntas, e qualquer movimento que reduza essa pressão ajuda a evitar um desgaste adicional para a administração federal.

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Estratégia econômica e compensação fiscal

A estratégia adotada pelo governo Lula envolve a redução direta de tributos federais sobre o diesel, buscando aliviar a pressão sobre os preços ao consumidor final. Para compensar parte da perda de arrecadação decorrente dessa medida, o governo planeja implementar aumentos nos impostos sobre a exportação de petróleo bruto. Essa combinação de políticas visa equilibrar as contas públicas, evitando criar um desequilíbrio fiscal maior enquanto se tenta controlar a inflação.

Vale destacar que a cotação internacional do petróleo voltou a bater a marca de US$ 100 por barril recentemente, um patamar elevado que persiste mesmo após anúncios de liberação de reservas estratégicas por parte de alguns países. Esse cenário externo pressiona os custos internos e justifica a ação governamental.

Cálculo político e popularidade

No Planalto, o cálculo político também entra fortemente na equação. A leitura predominante é que aumentos visíveis no custo de vida tendem a influenciar negativamente o humor do eleitorado. Em momentos de intensa disputa política, como um ano eleitoral, esse fator pode pesar decisivamente na avaliação do governo pela população.

Pesquisas de opinião recentes, como a realizada pelo instituto Quaest e divulgada na quarta-feira (11), acenderam um alerta entre os aliados do governo. O levantamento indicou que 51% dos entrevistados desaprovam a gestão Lula, enquanto 44% aprovam. Evitar que a alta do petróleo no mercado internacional chegue rapidamente ao bolso do consumidor brasileiro é, portanto, uma medida vista não apenas como uma tentativa de conter pressões inflacionárias, mas também como uma ação para preservar um ambiente político mais favorável.

Em resumo, a decisão de zerar o PIS e a COFINS sobre o diesel representa uma manobra econômica e política multifacetada. Ela busca mitigar os efeitos da inflação importada, enviar um sinal tranquilizador ao Banco Central, proteger as finanças dos cidadãos e, ao mesmo tempo, salvaguardar a popularidade do governo em um ano eleitoral crucial. A eficácia dessa medida, no entanto, ainda dependerá da evolução dos preços internacionais e da resposta do mercado interno nas próximas semanas.

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