O governo brasileiro definiu como uma das prioridades para a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (7), o encerramento das investigações comerciais abertas pelos EUA contra o Brasil. O encontro ocorrerá na Casa Branca, sede do governo americano, e será a primeira visita oficial de Lula a Trump desde que este assumiu o cargo no ano passado.
Temas em pauta
Entre os assuntos que estarão na mesa estão a regulamentação do uso das redes sociais, o sistema de pagamento Pix e o comércio de etanol. Esses temas foram incluídos nas apurações dos EUA como práticas que prejudicam a concorrência. O governo brasileiro nega qualquer irregularidade e pretende apresentar argumentos técnicos para demonstrar que as práticas são justas. Além disso, Lula deseja levar a Trump um pedido pelo fim da guerra com o Irã, expressando preocupação com os efeitos econômicos do conflito, que têm elevado o preço dos combustíveis.
Segurança pública e crime organizado
Outro tema central será o combate ao crime organizado. O governo brasileiro busca ampliar a cooperação para apreensão de armas e drogas, além de evitar que os EUA classifiquem facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou que o Brasil levará uma proposta de acordo para fortalecer a cooperação no combate ao crime organizado transnacional. Dados da Receita Federal mostram que, entre maio de 2025 e abril de 2026, meia tonelada de armas saídas dos EUA foi apreendida, demonstrando a disposição brasileira em estreitar laços.
Contexto das relações bilaterais
A reunião ocorre após um período de tensão. Trump havia taxado em 50% os produtos brasileiros, cancelado vistos de autoridades brasileiras e imposto sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Após conversas entre os líderes, essas medidas foram revogadas, mas duas investigações baseadas na seção 301 da lei de comércio dos EUA continuam em andamento. Essas apurações, que miram práticas comerciais consideradas injustas, podem resultar em novas tarifas a produtos brasileiros quando concluídas, previstas para julho. O governo Lula teme esse desfecho e considera prioritário encerrá-las.
Exploração de minerais críticos
O governo brasileiro também se prepara para discutir a exploração de minerais críticos, como terras raras, mas não há expectativa de acordos concretos. Auxiliares de Lula consideram o debate ainda inicial, e o Congresso brasileiro precisa aprovar um projeto de regulamentação do setor.
Lula deve reiterar que o comércio entre os países é favorável aos EUA e que aliados de Jair Bolsonaro tentaram convencer os americanos do contrário com interesses eleitorais. A reunião ocorre em momento delicado para o presidente brasileiro, que enfrenta pressão interna e disputa acirrada nas pesquisas eleitorais.



