Lula prepara cavalaria política para equilibrar disputa no Sudeste
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está focando sua estratégia de reeleição na região Sudeste do Brasil, mesmo diante de uma queda de aprovação no Nordeste, tradicional reduto petista. A movimentação política busca impedir que a oposição abra uma vantagem na região capaz de superar a colheita de votos do PT no Nordeste.
Queda no Nordeste e estabilidade nacional
Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, mostrou estabilidade na popularidade do governo nacionalmente, mas revelou uma queda significativa de seis pontos percentuais na aprovação à gestão Lula na região Nordeste entre janeiro e fevereiro. Apesar de festejada pela oposição, a redução não causou tanta apreensão aos auxiliares do presidente.
Assessores presidenciais alegam que com o início oficial da campanha eleitoral, quando serão intensificados o uso da máquina pública, os efeitos das medidas eleitorais e os investimentos em propaganda, essa queda momentânea será revertida. Eles argumentam que padrão semelhante ocorreu em períodos eleitorais anteriores, onde a imagem de Lula se fortaleceu durante a campanha.
Foco estratégico no Sudeste
A principal preocupação atual de Lula é com a disputa na região Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Como candidato à reeleição, o petista precisa de palanques estaduais fortes nesses estados.
Sua prioridade não é necessariamente eleger governadores, mas garantir que seus candidatos o ajudem a conseguir uma votação expressiva suficiente para impedir que o concorrente da oposição ao Planalto consiga uma vantagem no Sudeste capaz de superar a votação do PT no Nordeste.
Em 2022, Lula perdeu para Jair Bolsonaro em São Paulo, e Fernando Haddad foi derrotado por Tarcísio de Freitas na corrida ao governo paulista. No entanto, tanto petistas quanto bolsonaristas reconhecem que o desempenho do PT nas urnas paulistas foi decisivo para que Lula superasse Bolsonaro no placar geral pela menor diferença de votos registrada desde a redemocratização.
Articulações estaduais específicas
A missão do presidente no Sudeste apresenta desafios significativos:
- Em Minas Gerais: Lula ainda não tem candidato definido. Na semana passada, voltou a conversar com o senador Rodrigo Pacheco (PSD) na tentativa de convencê-lo a concorrer ao governo, mas a situação permanece indefinida.
- Em São Paulo: Onde a reeleição de Tarcísio de Freitas é considerada favorável, Lula quer mobilizar toda a cavalaria política. Em entrevista recente, declarou que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, têm um papel importante a cumprir no estado.
Ambos são cogitados para concorrer ao governo ou ao Senado por São Paulo. Para reforçar a equipe, espera-se que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, mude seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo a fim de participar da disputa. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também deve buscar os votos dos paulistas.
Cenário no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, onde Lula perdeu para Bolsonaro por uma diferença de mais de um milhão de votos no segundo turno de 2022, o presidente já tem candidato definido: o prefeito Eduardo Paes, que lidera as pesquisas de intenção de voto.
Adversário nos tempos do mensalão convertido em aliado, Paes é filiado ao PSD, partido que tem três pré-candidatos à Presidência e, portanto, pode rivalizar com o próprio presidente nas urnas. Esta complexa dinâmica partidária adiciona camadas à estratégia eleitoral de Lula no estado.
A articulação política no Sudeste representa um esforço calculado para equilibrar a disputa nacional, reconhecendo que a região concentra poder eleitoral decisivo. A capacidade de Lula em construir coalizões eficazes nestes estados pode determinar o resultado das eleições presidenciais de 2026.



