Lula e presidente sul-africano discutem parceria estratégica para minerais essenciais
Durante encontro realizado no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para discutir uma ampla agenda de cooperação bilateral que incluiu um ponto estratégico fundamental: a exploração conjunta de minerais críticos e terras raras.
Estratégia de desenvolvimento tecnológico e econômico
Lula reforçou de forma enfática a intenção do governo brasileiro de transformar a exploração desses recursos minerais em uma estratégia de desenvolvimento tecnológico e econômico sustentável. Segundo o presidente, Brasil e África do Sul possuem potencial semelhante nesse setor e podem ampliar significativamente a cooperação para evitar que recursos estratégicos continuem sendo exportados sem o devido valor agregado.
"O Brasil não vai fazer das terras raras o que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando cem vezes mais caro", declarou Lula durante o encontro, criticando o modelo histórico de exportação de commodities que caracterizou as relações comerciais brasileiras por décadas.
Reservas estratégicas para transição energética
O presidente brasileiro destacou que ambos os países detêm reservas importantes de minerais considerados essenciais para a transição energética e digital global. Lula defendeu um levantamento conjunto das jazidas sul-africanas e brasileiras, mencionando que o Brasil conhece apenas cerca de 30% do próprio território e que há espaço considerável para ampliar o mapeamento geológico nacional.
"Brasil e África do Sul precisam evitar repetir esse formato no caso dos minerais críticos", afirmou Lula, referindo-se ao modelo tradicional de exportação de matérias-primas sem processamento industrial local.
Fortalecimento das cadeias produtivas locais
O presidente fez um apelo direto para que os dois países fortaleçam suas cadeias produtivas e passem a produzir localmente os bens derivados desses recursos minerais estratégicos. Segundo sua visão, o objetivo central é que a etapa de transformação industrial ocorra dentro dos territórios brasileiro e sul-africano, gerando empregos, tecnologia e desenvolvimento econômico sustentável.
Lula mencionou ainda que pretende criar condições políticas e institucionais para a instalação de empresas conjuntas com participação ativa dos dois governos, estabelecendo uma parceria estratégica que vá além das relações comerciais tradicionais.
Histórico de exploração e decisão política
Ao comentar o histórico secular de exploração de riquezas naturais, Lula questionou a saída contínua de recursos estratégicos do país ao longo dos séculos, citando exemplos como ouro, prata e diamantes. Ele afirmou que a mudança desse paradigma depende fundamentalmente de decisão política e que Brasil e África do Sul devem transformar suas reservas minerais em conhecimento aplicado, riqueza distribuída e melhoria concreta da qualidade de vida para suas populações.
Acordos bilaterais ampliados
As declarações ocorreram durante uma série de reuniões que resultaram em acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio internacional, investimentos recíprocos e intercâmbio cultural. A intenção explícita do governo brasileiro é diversificar parcerias econômicas e ampliar significativamente o potencial de cooperação com países do Sul Global, especialmente em setores estratégicos como o de minerais críticos e terras raras.
Esta abordagem representa uma mudança significativa na política externa brasileira, que busca estabelecer alianças estratégicas baseadas no desenvolvimento tecnológico conjunto e na agregação de valor às matérias-primas nacionais, rompendo com ciclos históricos de dependência econômica.



