Presidente Lula demonstra frustração com decisão do Banco Central sobre taxa de juros
Durante evento do governo federal realizado em São Paulo na tarde desta quinta-feira, 19 de março de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou abertamente sua insatisfação com a redução da taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, anunciada pelo Banco Central na véspera. O mandatário petista, que esperava um corte mais significativo de 0,5%, não poupou palavras para criticar a decisão, atribuindo-a à guerra no Oriente Médio e utilizando linguagem forte em seu desabafo.
"Por**, essa guerra até no nosso Banco Central?" questiona Lula
Em discurso direcionado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a apoiadores presentes, Lula afirmou: "Hoje eu poderia estar mais feliz, mas estou triste, Haddad, porque eu esperava que o nosso BC abaixasse o juros pelo menos 0,5%, mas abaixou só 0,25% dizendo que é por causa da guerra. Por**, essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível". A declaração, carregada de emoção, reflete a tensão entre o governo federal e a autoridade monetária sobre a condução da política econômica.
Sacrifício governamental para impulsionar a economia
O presidente complementou sua fala destacando os esforços do governo para reaquecer a atividade econômica: "Estamos fazendo sacrifício que vocês não têm noção, o sacrifício para fazer a economia crescer, geração de emprego, aumentar salário das pessoas". A afirmação sublinha a divergência entre a visão do Executivo, que prioriza o crescimento e a distribuição de renda, e a postura cautelosa do Banco Central diante de riscos inflacionários.
Contexto geopolítico e revisão das expectativas do mercado
O mercado financeiro havia ajustado drasticamente suas projeções para o corte da Selic após o início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro, com ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel. Antes da escalada das tensões no Oriente Médio, a expectativa predominante era de uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros. Contudo, a disparada do preço do petróleo, que saltou de aproximadamente 70 dólares para mais de 100 dólares por barril, e seu impacto inflacionário, criaram um ambiente menos propício para cortes mais agressivos.
Instituições financeiras de peso, como BTG Pactual e Santander, revisaram suas expectativas nas últimas semanas, passando a prever um corte de apenas 0,25 ponto percentual. A incerteza sobre a duração e os desdobramentos do conflito geopolítico contribuiu para essa mudança de cenário.
Justificativa do Banco Central e comunicação do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central fundamentou sua decisão no comunicado divulgado na quarta-feira, 18 de março, citando: "O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais". O documento, assinado pelos nove membros do comitê, acrescenta: "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities".
Essa postura reflete a preocupação com a estabilidade econômica em um contexto internacional volátil, onde conflitos armados podem desencadear efeitos em cadeia sobre os mercados e a inflação, justificando a abordagem mais moderada adotada pela autoridade monetária brasileira.



