Kassab mantém Tarcísio como referência eleitoral e evita descartar cenário presidencial para 2026
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista VEJA, nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, adotou um tom cuidadosamente calculado ao abordar o futuro político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Sem definir cenários concretos, o dirigente partidário praticou aquilo que a arte política mais valoriza: deixou todas as possibilidades em aberto para as eleições presidenciais que se aproximam.
A porta que não se fecha: "nunca" não existe na política
Questionado diretamente se a candidatura de Tarcísio à Presidência da República estaria definitivamente descartada, Kassab foi econômico nas palavras, porém extremamente preciso no sinal político enviado. "A palavra 'nunca' não é correta na política", afirmou o presidente do PSD, antes de classificar o governador paulista como "o melhor candidato, o mais preparado e melhor nas pesquisas".
Essa postura revela mais pelo que não afirma do que pelo que confirma explicitamente. Kassab reconheceu que Tarcísio tem reiterado publicamente sua intenção de não ser candidato presidencial e de buscar a reeleição no governo de São Paulo. Ainda assim, fez questão de sublinhar que, se o nome do governador fosse escolhido pela direita, o PSD já teria uma posição definida de apoio.
O papel estratégico de Tarcísio mesmo fora da disputa presidencial
Segundo a análise de Kassab, Tarcísio de Freitas deverá desempenhar um papel crucial nas eleições de 2026 ao apoiar Flávio Bolsonaro, movido por "gratidão e lealdade" ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente do PSD disse concordar integralmente com essa postura e destacou que Tarcísio é atualmente o governador mais bem avaliado de São Paulo, com amplas chances de sucesso na busca pela reeleição.
Na prática, o governador paulista aparece como um ativo político decisivo mesmo estando fora da corrida presidencial direta: influencia alianças, desloca preferências do centro eleitoral e mantém seu capital político preservado para futuras movimentações.
O PSD e sua estratégia de candidatura própria
Kassab reforçou que o PSD terá candidatura própria na disputa presidencial de 2026, com três nomes já postos para a disputa interna:
- Ratinho Júnior, governador do Paraná
- Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul
- Ronaldo Caiado, governador de Goiás
A decisão sobre qual nome representará o partido será tomada até 15 de abril, estabelecendo um prazo claro para as definições internas. No entanto, ao tratar Tarcísio como "o melhor candidato", o presidente do PSD indicou que o governador paulista segue sendo uma referência externa capaz de reorganizar forças no campo da centro-direita brasileira.
O cenário político e as pesquisas eleitorais
Para o colunista Mauro Paulino, que participou da entrevista, as pesquisas eleitorais mostram que a polarização política volta a se impor quando os nomes são apresentados ao eleitor. Historicamente, o centro político oscila entre 10% e 15% das intenções de voto, um desafio que os partidos de centro-direita precisam superar.
Kassab, porém, mantém o otimismo estratégico ao apostar que um candidato do PSD pode romper esse limite ao longo da campanha eleitoral. A preservação de Tarcísio como figura de referência, mesmo fora da disputa direta, sinaliza tanto ao centro quanto à direita que o governador mantém seu peso eleitoral intacto, pronto para ser mobilizado conforme as necessidades políticas do momento.
As articulações para 2026 continuam em aberto, com o PSD mantendo múltiplas opções estratégicas enquanto observa o desenvolvimento do cenário político nacional. A postura calculada de Kassab reflete a complexidade do momento eleitoral que se aproxima, onde cada movimento deve ser cuidadosamente ponderado.



