Justiça argentina suspende parte da reforma trabalhista de Milei que ampliava jornada
Justiça suspende reforma trabalhista de Milei na Argentina

Justiça argentina suspende parte da reforma trabalhista de Milei que ampliava jornada

Um juiz federal da Argentina determinou a suspensão temporária de parte significativa da reforma trabalhista implementada pelo governo do presidente Javier Milei. A decisão judicial, emitida pelo juiz Raúl Horacio Ojeda, atinge diretamente medidas polêmicas como a ampliação da jornada de trabalho para até doze horas diárias, a redução do valor das indenizações por demissão sem justa causa e regras que restringiam o direito de greve dos trabalhadores.

Decisão atinge 82 artigos da lei

Conforme informações divulgadas pelos principais jornais argentinos La Nación e Clarín, a medida cautelar suspende provisoriamente oitenta e dois artigos da Lei 27.802, que havia sido aprovada pelo Senado argentino no final do mês de fevereiro. A suspensão foi concedida após um pedido formal apresentado pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a principal central sindical do país, que argumentou violações constitucionais nas novas regras.

A decisão judicial é de caráter provisório e permanecerá válida até que a Justiça argentina se pronuncie de maneira definitiva sobre a constitucionalidade dos trechos questionados. Enquanto isso, as medidas suspensas não poderão ser aplicadas, representando um revés significativo para o plano econômico do governo Milei.

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Reforma era aposta para flexibilizar mercado

A reforma trabalhista aprovada há pouco mais de um mês era considerada uma das principais apostas do governo de Javier Milei para flexibilizar o mercado de trabalho argentino e estimular a criação de novos postos de emprego. Além das mudanças na jornada e nas indenizações, a legislação também incluía alterações profundas nos contratos de trabalho, na atuação dos sindicatos e introduzia novas modalidades de contratação consideradas mais flexíveis pelos empregadores.

Desde a aprovação da reforma, os sindicatos argentinos já haviam sinalizado publicamente que recorreriam ao Poder Judiciário contra os pontos que consideravam prejudiciais aos direitos históricos dos trabalhadores. A ação da CGT rapidamente encontrou eco na Justiça, resultando na suspensão temporária que agora paralisa a implementação das medidas mais controversas.

Impacto imediato nas relações trabalhistas

A decisão do juiz Ojeda tem impacto imediato nas relações trabalhistas em todo o território argentino. Entre as principais consequências estão:

  • Manutenção da jornada máxima anterior – As empresas não poderão exigir a jornada ampliada de doze horas diárias;
  • Preservação do valor das indenizações – Os valores das indenizações por demissão sem justa causa permanecem nos patamares anteriores à reforma;
  • Direito de greve mantido – As restrições impostas pela nova lei ao direito de greve estão temporariamente suspensas;
  • Contratos tradicionais preservados – As mudanças nos contratos de trabalho e nas formas de contratação não poderão ser implementadas enquanto a suspensão estiver vigente.

O embate entre o governo Milei e os sindicatos argentinos agora se transfere para o campo jurídico, onde será decidido se as mudanças na legislação trabalhista são compatíveis com a Constituição argentina e com os tratados internacionais de proteção aos trabalhadores dos quais o país é signatário.

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