Terracap detalha imóveis de R$ 6,4 bi como garantia para empréstimo bilionário do BRB
Imóveis de R$ 6,4 bi são garantia para empréstimo do BRB

Terracap detalha imóveis avaliados em R$ 6,4 bilhões como garantia para empréstimo do BRB

A Terracap, companhia de desenvolvimento do Distrito Federal, enviou aos deputados distritais um documento minucioso que especifica os valores dos imóveis que poderão ser utilizados como garantia para um empréstimo bilionário a ser contraído pelo Banco de Brasília (BRB). No total, os lotes somam aproximadamente R$ 6,4 bilhões em valor de mercado, conforme os dados apresentados pela empresa pública.

Detalhamento dos imóveis e seus valores

O documento da Terracap, acessado nesta segunda-feira (2), lista nove propriedades com suas respectivas avaliações financeiras. Entre os imóveis destacados estão terrenos no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), pertencentes a empresas públicas do DF, e áreas estratégicas como a Gleba A de 716 hectares, avaliada em impressionantes R$ 2,2 bilhões.

Os valores específicos incluem:

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  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote F (Caesb): R$ 632 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote C (CEB): R$ 547 milhões
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote B (Novacap): R$ 1,02 bilhão
  • Centro Metropolitano em Taguatinga (sede administrativa abandonada): R$ 491 milhões
  • Gleba A de 716 hectares (Terracap): R$ 2,2 bilhões
  • Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN: R$ 239 milhões

Projeto de lei em tramitação e reunião com deputados

O projeto de lei de autoria do governador Ibaneis Rocha (MDB) não apenas autoriza o uso desses terrenos como garantia, mas também permite sua venda em determinadas circunstâncias. A proposta ainda aguarda votação na Câmara Legislativa do Distrito Federal, gerando debates intensos entre parlamentares.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, reuniu-se com deputados distritais durante toda esta segunda-feira (2) para esclarecer dúvidas sobre o projeto. Em seu discurso inicial, Souza afirmou que o banco continua operando normalmente e negou que a proposta represente um "cheque em branco" para a instituição financeira.

"Não autoriza gasto automático. Ele cria instrumentos legais para que seja assegurada a sobrevivência do banco com estabilidade e solidez", declarou o presidente do BRB durante a reunião que se estendeu por horas.

Contexto político e críticas da oposição

Parlamentares de oposição enxergam o projeto como uma manobra política para "salvar o calendário eleitoral" de Ibaneis Rocha, Celina Leão e seus aliados, em vez de focar exclusivamente na preservação do patrimônio do BRB. O governo distrital esperava aprovar a medida ainda em fevereiro, mas o atraso na tramitação complica as condições do banco para captar recursos no mercado financeiro.

Analistas políticos observam que este texto sobre os imóveis funciona como um "teste" para medir o quanto o escândalo envolvendo o Banco Master abalou o apoio político ao governador junto a seus aliados na Câmara Legislativa.

Objetivos e riscos do empréstimo bilionário

O empréstimo, que poderá ser obtido inclusive junto ao Fundo Garantidor de Crédito, integra o plano "preventivo" entregue pelo BRB ao Banco Central há duas semanas. Caso seja concretizado, esses recursos visam melhorar o perfil dos ativos do banco, reduzindo os riscos associados ao seu patrimônio e fortalecendo sua credibilidade no mercado financeiro.

Com a garantia imobiliária oferecida pelo governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em termos mais favoráveis, com juros potencialmente menores, proporcionando maior consistência ao seu balanço patrimonial – abalado após as transações mal-sucedidas na compra do Banco Master nos últimos anos.

Contudo, existe um risco considerável: caso o BRB e o governo distrital não consigam honrar o empréstimo no futuro, poderão ser obrigados a alienar (vender) esses valiosos imóveis públicos para quitar o compromisso financeiro assumido, o que geraria debates sobre possível dilapidação do patrimônio público.

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