Governador Ibaneis enfrenta rebelião de aliados para socorrer BRB em ano eleitoral
Ibaneis enfrenta rebelião de aliados para socorrer BRB

Governador do Distrito Federal enfrenta resistência inédita de aliados para aprovar socorro financeiro ao BRB

O governador Ibaneis Rocha, do MDB, enfrenta uma situação completamente nova em sua gestão à frente do Governo do Distrito Federal. Pela primeira vez desde que assumiu o Palácio do Buriti em 2019, o chefe do executivo distrital encontra dificuldades significativas para aprovar um projeto na Câmara Legislativa, e o problema não vem apenas da oposição tradicional.

Base aliada se rebela contra projeto de socorro ao banco estatal

Não é apenas a oposição, comandada por PT e PSOL, que causa preocupação ao governador na tentativa de aprovar o socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo GDF que vive um dos momentos mais delicados de sua história. Agora, Ibaneis precisa convencer também os próprios deputados que formam sua ampla base de apoio, algo que nunca havia sido necessário anteriormente.

"Não há consenso. Aliados se rebelaram e não querem votar", revela um importante nome da base governista, que preferiu manter o anonimato. A situação é tão incomum que as conversas nos bastidores se intensificaram nos últimos dias e devem continuar até a próxima terça-feira, quando o governo pretende ver aprovado o projeto que autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia na operação de resgate ao BRB.

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Desgaste eleitoral e cobranças por contrapartidas políticas

A preocupação dos deputados distritais é especialmente aguda neste ano eleitoral. "Eles não querem repetir o desgaste do ano passado, estão insatisfeitos", explica um aliado de primeira hora de Ibaneis. Em 2025, a bancada governista aprovou em tempo recorde outro texto enviado pelo governador, autorizando negócios com o Banco Master. Após a explosão do escândalo BRB/Master, esses parlamentares têm sido cobrados diretamente pelos eleitores.

O Banco Central determinou que o BRB faça um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir o rombo causado pelos negócios com o Master. As perdas ocorreram pela compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do banco de Daniel Vorcaro, que foi liquidado em novembro passado.

Aliados do governador lembram que, em momentos de crise política como este, costumam se multiplicar os pedidos dos parlamentares por cargos para cabos eleitorais e outras contrapartidas em troca do apoio necessário. "Vai ser preciso atender pedidos", admitem fontes próximas ao governo. A prática de cobrar um preço pelo apoio político é bem conhecida nos corredores da Câmara Legislativa.

Tentativa de estancar a crise e apoio garantido

Há um entendimento entre os aliados ao Buriti de que o ideal seria encerrar o tema o mais breve possível, numa tentativa de conter o desgaste político antes que se agrave ainda mais. Enquanto a maioria da base mostra resistência, pelo menos um nome não deve dar trabalho a Ibaneis Rocha: o presidente da CLDF, Wellington Luiz, também do MDB, tem dado demonstrações seguidas de apoio irrestrito ao governador.

Nos últimos dias, Wellington Luiz arquivou quatro pedidos de impeachment contra Ibaneis e agora deve ajudar a acalmar os ânimos entre os aliados mais reticentes. O resultado de todas essas negociações será conhecido na próxima semana, quando sair o resultado da votação no plenário da Câmara Legislativa, definindo o futuro do socorro ao BRB e testando a força política do governador em um momento crucial.

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