Governador do DF cancela jantar com aliados após risco de esvaziamento
Ibaneis cancela jantar com deputados após risco de esvaziamento

Governador do DF cancela jantar com aliados após risco de esvaziamento

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha do MDB, decidiu cancelar um jantar que estava marcado para esta segunda-feira, dia 9, com deputados distritais da base aliada. A medida foi tomada após aliados sinalizarem que o encontro poderia ser esvaziado, em meio ao desgaste provocado pelo escândalo envolvendo o BRB e o Banco Master.

Detalhes do cancelamento e justificativas

Segundo dois parlamentares que pediram anonimato, o convite para o jantar partiu do próprio gabinete do governador. Inicialmente, diferentes locais foram cogitados para a reunião, incluindo a residência oficial, a casa de Ibaneis e, por fim, a residência do secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha. No entanto, diante do risco de falta de quórum, o encontro acabou sendo desmarcado, sem que uma nova data tenha sido definida.

O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wellington Luiz, também do MDB e integrante da base do governo, negou que o cancelamento tenha ocorrido por falta de apoio. Em suas declarações, ele afirmou que a decisão foi adiar a conversa para depois do Carnaval. “Houve um entendimento para deixar a reunião para depois do Carnaval, até porque alguns deputados estão fora. Não há resistência da base em se encontrar com o governador”, disse Wellington. Ele acrescentou que está à frente da articulação e pretende ajustar uma nova data após o feriado.

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Base silenciosa e clima de tensão política

A reunião cancelada seria a primeira do ano entre Ibaneis e a Câmara Legislativa, refletindo um clima de tensão. Embora o governo conte com o apoio de 17 dos 24 deputados distritais, nenhum deles saiu em defesa do Executivo na abertura do ano legislativo, na semana passada. Na ocasião, parlamentares da oposição ocuparam a tribuna com críticas à gestão, enquanto Ibaneis não compareceu à sessão nem enviou representante para a leitura da mensagem do governo.

Wellington Luiz justificou a ausência do governador como uma medida para evitar constrangimentos, diante do momento considerado delicado. Um deputado da base avaliou que o governo foi jogado em uma crise em pleno ano eleitoral, com parte dos parlamentares se sentindo enganada por ter aprovado a operação envolvendo o Banco Master com base em informações limitadas repassadas pelo BRB e pelo Palácio do Buriti.

Investigações e impacto financeiro do escândalo

Como acionista majoritário do BRB, o governo do DF precisou submeter a operação com o Banco Master à aprovação da Câmara Legislativa, o que ocorreu por 15 votos a 7. O projeto foi sancionado por Ibaneis no dia seguinte e publicado em edição extra do Diário Oficial. Investigações do Banco Central, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal indicam que o Master teria vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado consideradas falsas ao BRB.

Segundo os investigadores, a compra da instituição teria servido para mascarar a operação e evitar a quebra do banco controlado por Daniel Vorcaro. O Banco Central já determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis prejuízos, com o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, afirmando em depoimento à PF que o valor pode ser ainda maior devido à baixa qualidade dos ativos recebidos.

Na sexta-feira, dia 6, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, apresentou um plano de capitalização ao BC com quatro propostas, incluindo:

  • Venda de ativos do Master
  • Empréstimos com consórcio de bancos
  • Apoio do Fundo Garantidor de Créditos
  • Criação de um fundo imobiliário com ativos do governo do DF

Parte dessas medidas depende do aval dos deputados distritais, o que pode complicar ainda mais a situação política. Apesar do desgaste, iniciativas mais duras da oposição, como a abertura de uma CPI ou um eventual pedido de impeachment, só devem avançar se houver indícios de envolvimento direto do governador. Até agora, Ibaneis tem dito a aliados que errou ao confiar no então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

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