Haddad afirma que governo monitora impactos econômicos da guerra no Irã e avalia reações
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a pasta está acompanhando com extrema atenção os efeitos da guerra no Irã na economia mundial, com foco especial na volatilidade dos preços do petróleo. O governo está preparado para sugerir diferentes ações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme a evolução do cenário internacional.
Comparação com o 'tarifaço' e cenários múltiplos
Haddad fez uma analogia entre a instabilidade atual do petróleo — que saltou de 70 para 100 dólares e depois recuou para 85 dólares por barril em apenas uma semana — e o chamado 'tarifaço' imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado. "No caso do tarifaço, houve um pânico gerado pela extrema direita de que aquilo ia quebrar a economia brasileira, que o Brasil finalmente ia se render ao império do norte, que ia ter que aceitar as exigências deles em relação ao Bolsonaro e nada disso aconteceu", afirmou o ministro.
O governo está adotando uma postura cautelosa, trabalhando com múltiplos cenários para evitar decisões precipitadas. "Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas. Temos que observar, verificar o andar das coisas e estabelecer cenários", explicou Haddad durante coletiva com jornalistas nesta terça-feira, 10 de março de 2026.
Impactos na inflação e política monetária
A alta do petróleo no mercado global pode afetar negativamente a inflação no Brasil, o que poderia adiar eventuais cortes na taxa básica de juros. Sobre esse ponto, o ministro defendeu que o Banco Central mantenha uma postura técnica e independente. "O Banco Central é autônomo, tanto do governo quanto do mercado. Ele vai avaliar os dados e decidir a dose adequada da política monetária", destacou Haddad.
Atualmente, a taxa Selic está fixada em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas. O Banco Central já sinalizou claramente que deve iniciar um ciclo de redução dos juros em sua próxima reunião, marcada para a semana que vem.
Expectativas do mercado financeiro
Com o início do conflito no Oriente Médio, o mercado financeiro tornou-se mais conservador em suas projeções. Anteriormente, a maioria dos agentes econômicos apostava em um corte de 0,5 ponto percentual na Selic. Agora, a possibilidade de uma redução de 0,75 ponto percentual foi praticamente descartada, e um corte mais moderado de 0,25 ponto percentual parece mais provável para boa parte dos analistas.
O governo continua monitorando de perto a situação, enfatizando a necessidade de prudência antes de qualquer decisão econômica significativa em resposta ao conflito internacional.



