Governadores rejeitam proposta federal de zerar ICMS sobre diesel
Governadores rejeitam proposta de zerar ICMS sobre diesel

Governadores rejeitam proposta federal de zerar ICMS sobre diesel

Os governadores dos estados brasileiros decidiram, em consenso, não aceitar a proposta do governo federal para zerar a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel até o final do mês de maio. A decisão foi tomada após análise dos impactos financeiros que a medida traria para as contas públicas estaduais.

Contraproposta gaúcha e reunião do Confaz

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, do Partido Social Democrático (PSD), apresentou uma contraproposta que será analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A proposta federal, apresentada na quarta-feira, dia 18, previa a isenção do ICMS sobre a importação do diesel, com compensação parcial pela União.

De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a isenção do ICMS na importação do diesel custaria aproximadamente R$ 3 bilhões por mês até o fim de maio. O governo federal se comprometeu a ressarcir R$ 1,5 bilhão mensalmente aos estados, cobrindo metade das perdas estimadas. No entanto, os governadores entendem que essa compensação é insuficiente.

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Impacto nas finanças estaduais

Secretários de Fazenda de estados como Goiás, Distrito Federal e São Paulo avaliam que não é possível abrir mão da arrecadação do ICMS sobre o combustível, devido ao impacto significativo nas contas públicas. O ICMS é uma das principais fontes de receita das unidades federativas, e sua redução poderia comprometer serviços essenciais e investimentos.

Como o ICMS é um imposto estadual, cada estado tem autonomia para tomar suas decisões sobre tributos, de modo que eles não são obrigados a baixar o imposto. Esta autonomia tributária é um ponto central na resistência dos governadores à proposta federal.

Posição do Paraná e diálogo com o Comsefaz

Em nota oficial, o governo do Paraná informou que trabalha, junto ao Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), em soluções que não comprometam o equilíbrio das contas públicas, os repasses obrigatórios aos municípios e o setor produtivo. O estado defende que qualquer mudança na carga tributária do diesel seja precedida de consenso entre as unidades da federação.

O governo paranaense também destacou que os estados ainda enfrentam perdas de arrecadação provocadas pelas leis complementares aprovadas em 2022, que reduziram as alíquotas sobre combustíveis. Essas perdas anteriores agravam a situação financeira dos estados, tornando a nova proposta ainda mais difícil de aceitar.

Pedido de Lula e contexto internacional

Mais cedo, em evento realizado na cidade de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o pedido aos governadores para que reduzam o ICMS sobre os combustíveis. O presidente comentou sobre os impactos internos provocados pela guerra no Oriente Médio, que tem afetado os preços do petróleo no mercado internacional.

Lula voltou a criticar aumentos no preço do álcool, da gasolina e as pessoas que, segundo ele, se aproveitam da situação. O presidente já tinha feito um pedido público informalmente aos governadores, que foi rejeitado. Posteriormente, uma equipe do Ministério da Fazenda se reuniu com representantes dos estados para formalizar a demanda, mas sem sucesso até o momento.

Medidas do governo federal e preocupações logísticas

O governo federal tem se articulado para tentar diminuir os impactos internos provocados pelo aumento do preço do petróleo, em decorrência do conflito no Oriente Médio. O diesel, por exemplo, já ficou mais caro para os distribuidores, pressionando os custos logísticos em todo o país.

Na semana passada, o Executivo anunciou redução de impostos federais sobre o diesel, além de subsídios para produtores e importadores. A preocupação do Planalto é com os custos logísticos e seu impacto nos preços de alimentos e outros produtos essenciais para a população.

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Ao mesmo tempo em que negocia com os estados, o governo preparou um pacote de medidas para endurecer a fiscalização do piso mínimo do frete e punir empresas que descumprem a regra. O Executivo, com isso, tem se articulado também para evitar uma nova greve de caminhoneiros diante da escalada dos preços do diesel, um cenário que poderia paralisar o país.

O Ministério da Fazenda afirmou, em nota, que mantém diálogo com os governadores para buscar um acordo, em consenso, sobre o tema. No entanto, com a rejeição inicial dos estados, as negociações devem continuar tensas nas próximas semanas, enquanto o preço do combustível segue como uma preocupação central para a economia brasileira.