Governadores do PSD atacam proposta de fim da escala 6×1 e denunciam desarranjo institucional
Os três governadores do PSD que são pré-candidatos à Presidência da República, Eduardo Leite do Rio Grande do Sul, Ratinho Júnior do Paraná e Ronaldo Caiado de Goiás, manifestaram duras críticas à proposta do governo federal que busca reduzir a escala de trabalho 6×1. Em entrevista ao programa Canal Livre da TV Band, os líderes estaduais classificaram a medida como eleitoreira e economicamente inviável, alertando ainda para um grave desarranjo entre os Poderes que compromete a governabilidade do país.
Críticas econômicas à redução da jornada de trabalho
Eduardo Leite foi enfático ao argumentar que a Europa só avançou na discussão sobre redução de jornada após atingir uma renda per capita superior a 40 mil dólares, enquanto o Brasil gira em torno de 10 mil dólares. "Nessas condições de baixa produtividade, estabelecer isso legalmente e imediatamente seria um desastre do ponto de vista econômico", afirmou o governador gaúcho, em trecho divulgado pelo site do programa. Ele ressaltou que a medida, sem um planejamento adequado, poderia agravar a situação financeira do país.
Ratinho Júnior direcionou suas críticas ao impacto sobre pequenos empresários, questionando como ficaria o dono de um açougue com apenas dois funcionários. "Se entrar essa escala, ele vai ter que contratar no mínimo mais dois. Ele dobra o custo de folha e não aumenta o volume de vendas", explicou o governador paranaense. Ele defendeu que o Brasil adote o sistema de hora trabalhada, comum em países como Estados Unidos e Japão, como uma alternativa mais viável.
Ataques políticos e acusações de demagogia
Ronaldo Caiado foi o mais contundente em suas declarações, classificando a proposta do governo como "demagógica e irresponsável". O governador goiano creditou ao PT uma queda na relevância do Brasil em comparação com outros países dos Brics no comércio global e acusou a medida de ter intenções eleitorais. "Você acha que algum deputado ou senador, em ano eleitoral, vai votar contra uma tese que diz que você vai trabalhar menos e ganhar a mesma coisa? É uma proposta demagógica, irresponsável, com o intuito de cativar voto", disparou Caiado.
Além disso, Ratinho Júnior destacou que o próximo presidente não governará com dinheiro, apostando que a melhora econômica depende da iniciativa privada. "É uma utopia achar que o próximo presidente vai governar com dinheiro. Não vai governar com dinheiro. O País está numa situação lamentável", afirmou, citando o excesso de burocracia como um dos principais obstáculos para o desenvolvimento nacional.
Alerta sobre desarranjo entre os Poderes e governabilidade
Eduardo Leite e Ronaldo Caiado também abordaram questões estruturais da política brasileira. Caiado criticou a polarização, afirmando que a divisão política impediu o governo federal de apostar em projetos de longo prazo. Já Leite alertou para um desarranjo entre os Poderes que gera um sério "problema de governabilidade".
O governador do Rio Grande do Sul apontou dois pontos específicos:
- O volume e a natureza das emendas parlamentares, que ocupam um espaço desproporcional no Orçamento.
- O excesso de intervenção do Supremo Tribunal Federal em decisões que deveriam ser de competência do Executivo.
Os três governadores, unidos em suas críticas, enfatizaram a necessidade de um debate mais aprofundado e realista sobre reformas trabalhistas, evitando medidas populistas que possam prejudicar a economia e a coesão institucional do Brasil.
