Crescimento de Flávio Bolsonaro e rejeição a Lula acendem alerta no Planalto
Flávio cresce em pesquisas e rejeição a Lula preocupa governo

Crescimento de Flávio Bolsonaro e rejeição a Lula acendem alerta no Planalto

O crescimento surpreendente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, impulsionado pela transferência de votos do pai, Jair Bolsonaro, e pela alta rejeição de Luiz Inácio Lula da Silva, transforma a disputa pela presidência em um cenário mais difícil e polarizado para o governo, longe do otimismo inicial que reinava no Palácio do Planalto.

Pesquisas revelam cenário desafiador para Lula

Na tarde de quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, Flávio Bolsonaro reuniu um grande número de parlamentares de direita em Brasília, discursou, se emocionou e pediu união do espectro político em torno de sua candidatura à Presidência. Sentado entre o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto, e o deputado Nikolas Ferreira, o senador anunciou uma proposta de emenda à Constituição para acabar com a reeleição presidencial, visando mostrar que seu projeto não é pessoal, mas de um grupo político focado em derrotar Lula.

Horas antes, uma nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que Flávio voltou a crescer em intenção de votos e se consolidou como o nome mais viável para vencer Lula. Na sexta-feira 27, outro levantamento, do Paraná Pesquisas, revelou o senador do PL empatado tecnicamente com Lula no primeiro e no segundo turnos. As pesquisas expuseram que o petista enfrenta mais dificuldades do que se imaginava para fazer decolar sua candidatura e conquistar o quarto mandato nas urnas em outubro.

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Fortalecimento da candidatura e fatores de mudança

O fortalecimento da candidatura de Flávio é evidente. Em novembro passado, ele tinha 23,1% das intenções de voto, contra mais de 47% de Lula. Ao anunciar que havia sido escolhido pelo pai como herdeiro político, saltou para 29,3% em dezembro, chegando a quase 40% em fevereiro. No segundo turno, a desvantagem para Lula, que era de 12 pontos em dezembro, desapareceu, com Flávio aparecendo numericamente à frente.

A consolidação de Flávio como rival tem explicações múltiplas. A primeira é a extraordinária transferência de votos de Jair Bolsonaro ao filho em dois meses, descrita como um movimento muito forte e rápido por analistas. Outro motivo é a piora da situação de Lula, que oscila para baixo em intenção de votos e aprovação ao governo, com a taxa dos que consideram ótimo ou bom sua gestão recuando mais de 4 pontos desde janeiro.

O resultado disparou todos os alertas no Planalto, onde se acreditava que Flávio seria o adversário mais fácil. As pesquisas mostram que não só o senador é uma ameaça, como expuseram a dificuldade de Lula com setores do eleitorado. Fatores como o polêmico desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, que irritou conservadores, e a falta de efeito do amplo pacote de bondades do governo, incluindo isenção de imposto de renda, contribuíram para a queda de popularidade.

Polarização e estratégias eleitorais

A polarização ideológica divide o Brasil ao meio, com o embate tendendo a ser duro como em 2022. Tanto Flávio quanto Lula têm taxas de rejeição altas, liderando o ranking com 46,4% e 48,2%, respectivamente. Apenas 7% dos eleitores se preocupam igualmente com a reeleição de Lula e a vitória de Flávio, indicando pouca margem para terceira via ou mudança de votos.

Do lado da oposição, Flávio busca aparar arestas na direita, engajando figuras como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro, vista como decisiva para atrair mulheres e evangélicos. Valdemar Costa Neto explora nomes como Romeu Zema e Tereza Cristina para vice na chapa. Do lado do governo, Lula enfrenta dificuldades para atrair partidos do centro, apostando em divisões regionais e no pacote de bondades, como o fim da escala de trabalho 6×1, apesar de críticas sobre a estratégia de comunicação.

Com pouco mais de sete meses para a votação, o clima de festa entre governistas dá lugar a preocupação. A batalha pelo quarto mandato será dura e, como se vê, está longe de ser vencida, com a eleição marcada por alta polarização e desafios significativos para ambos os lados.

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