Pesquisa eleitoral revela cenário surpreendente para 2026 com força inédita de Flávio Bolsonaro
A nova pesquisa Real Time Big Data sobre a corrida presidencial de 2026, divulgada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, trouxe dados que chamam atenção para o cenário político brasileiro. Em análise no programa Ponto de Vista, o colunista Mauro Paulino destacou números que podem mudar completamente o jogo eleitoral nos próximos meses.
Eleitorado mais engajado e indecisos em baixa histórica
Um dos pontos mais significativos da pesquisa é o percentual de indecisos, que aparece em 31% dos entrevistados na pesquisa espontânea, onde os nomes dos candidatos não são apresentados. Segundo Mauro Paulino, esse número está abaixo da média histórica para um momento em que a eleição ainda está distante, indicando que o eleitor já está mais conectado à disputa e com nomes bem definidos em mente.
"Em pesquisas espontâneas feitas com cerca de oito meses de antecedência, é comum que o número de indecisos seja bem maior", explicou Paulino. "O patamar atual sugere que mais da metade do eleitorado já tem um candidato espontâneo, sem precisar ser estimulado por uma lista de nomes."
O fenômeno Flávio Bolsonaro e a transferência de votos
O dado mais expressivo da pesquisa, porém, está no desempenho de Flávio Bolsonaro. O senador parte de 14% na pesquisa espontânea e chega a impressionantes 30% quando os nomes são apresentados aos eleitores na pesquisa estimulada.
Na leitura de Mauro Paulino, trata-se de um fenômeno raro na política brasileira. "O sobrenome Bolsonaro demonstra uma força inédita de transferência de votos", avaliou o colunista. "Diferentemente de heranças políticas tradicionais, o crescimento de Flávio ocorre de forma rápida e quase automática, mesmo sem uma campanha estruturada ou um lançamento formal de candidatura."
Lula próximo do teto eleitoral e polarização consolidada
Do outro lado da polarização, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 28% na pesquisa espontânea e salta para 39% na estimulada. Paulino destaca que esse crescimento é relevante, mas dentro do esperado para um presidente em exercício.
Outro ponto importante na análise é o chamado "teto eleitoral". De acordo com Paulino, os números indicam que Lula já opera próximo de seu limite máximo de intenções de voto, especialmente nas simulações de segundo turno, onde oscila perto de 49%. Já no caso de Flávio Bolsonaro, o teto ainda é desconhecido. "A gente não sabe até onde ele pode chegar", afirmou o colunista.
Espaço reduzido para terceira via e outros nomes
A pesquisa também aborda a situação de outros possíveis candidatos. Tarcísio de Freitas não aparece com força na pesquisa espontânea, mas Paulino pondera que ainda é cedo para descartá-lo completamente, especialmente considerando sua avaliação positiva em São Paulo e reconhecimento crescente.
Quanto à chamada terceira via, o colunista foi cético quanto às chances de rompimento da polarização. Ratinho Júnior aparece com desempenho superior ao de outros governadores do mesmo campo, em parte por associação automática com o pai, figura amplamente conhecida no país. Mesmo assim, o histórico eleitoral recente mostra que candidaturas alternativas raramente ultrapassam a marca dos 10%.
"Quando o eleitor é colocado diante da escolha final, tende a optar pelo lulismo ou pelo bolsonarismo", resumiu Paulino.
Cenário político se define mais cedo que o habitual
Na avaliação final de Mauro Paulino, os números da pesquisa Real Time Big Data reforçam um cenário já conhecido, mas agora com um ingrediente novo: o eleitor está mais atento mais cedo, e a polarização parece ainda mais consolidada do que em ciclos eleitorais anteriores.
A disputa presidencial de 2026 caminha, mais uma vez, para um embate direto entre os dois campos que dominam a política brasileira desde 2018, com a novidade da força inédita demonstrada por Flávio Bolsonaro na transferência de votos do clã Bolsonaro.
Os dados sugerem que a campanha eleitoral já começou na mente do eleitor brasileiro, com definições mais claras e engajamento antecipado que podem moldar completamente as estratégias dos candidatos nos próximos meses.



