Flávio Bolsonaro promete não disputar reeleição e cortes de gastos em pré-campanha
Flávio Bolsonaro promete não disputar reeleição e cortes de gastos

Primeiras promessas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro incluem compromisso contra reeleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está se preparando para apresentar suas primeiras promessas de campanha presidencial nas semanas seguintes ao término do Carnaval, marcando o início prático do ano de trabalho de 2026 nas instituições de Brasília. A informação foi confirmada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Compromisso histórico contra a reeleição

A primeira medida a ser formalizada será a posição contrária à reeleição presidencial, com o compromisso de, caso vença o pleito de outubro deste ano, não disputar um novo mandato em 2030. Esta posição ganha relevância histórica considerando que, em 2022, Jair Bolsonaro tornou-se o primeiro candidato à reeleição ao Palácio do Planalto a ser derrotado nas urnas sob a Constituição de 1988.

Antes desse episódio, todos os presidentes que buscaram a reeleição desde a redemocratização haviam sido bem-sucedidos: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1998, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006 e Dilma Rousseff (PT) em 2014.

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Agenda de moderação e responsabilidade fiscal

Segundo Rogério Marinho, além do compromisso contra a reeleição, a equipe de Flávio Bolsonaro trabalha em propostas e estudos sobre "praticamente todos os temas que são importantes para o país". O pré-candidato busca transparecer moderação, utilizando inclusive a alcunha de "Bolsonaro que se vacinou" contra a covid-19, em clara tentativa de marcar diferenças com o governo de seu pai.

Nas redes sociais, o chamado "Zero Um" já sinalizou promessas de cortes de gastos e melhor governança, defendendo uma "tesourada" em:

  • Impostos que considera desnecessários
  • Gastos públicos considerados supérfluos
  • Cargos para "marajás e amigos"
  • Leis inúteis e obsoletas
  • Multas abusivas e taxas sem retorno
  • Corrupção e "jeitinho"
  • Interferência política em órgãos técnicos
  • Criminalidade de forma genérica

Contraste com governos anteriores

Marinho destacou que Flávio Bolsonaro seguirá uma "linha clara de responsabilidade fiscal" com o objetivo de estabilizar a curva da dívida pública e revisitar reformas estruturantes, incluindo as reformas trabalhista, previdenciária e administrativa. O coordenador da pré-campanha criticou especialmente a reforma tributária, afirmando que está "nos legando o maior imposto sobre o valor agregado do mundo" devido à ausência do governo na regulamentação e à influência de lobbies.

O líder da oposição no Senado também atacou a política econômica do governo atual, declarando: "Temos no Brasil o maior juro real do mundo, de 15%. Descontada a inflação, dá mais de dez pontos percentuais por ano. Nunca o sistema financeiro foi tão bem remunerado como sob Lula".

Processo de construção das propostas

Rogério Marinho revelou que, desde o princípio de dezembro, quando anunciou a pré-candidatura, Flávio Bolsonaro tem se reunido com a equipe de forma esporádica para validar ideias, com encontros que devem se tornar mais frequentes a partir da próxima semana. "A partir daí, de forma gradual ele deve levar essas propostas a público", afirmou o coordenador.

O senador fluminense parece estar desenvolvendo ideias especialmente desenhadas para marcar contraste com o governo de seu pai, que multiplicou programas sociais e aumentou valores transferidos às famílias beneficiárias no ano da disputa pela reeleição, além de ter aberto portas para indicações do Centrão em cargos do primeiro ao terceiro escalão e permitido o crescimento do orçamento secreto com distribuição multibilionária de emendas parlamentares.

Marinho finalizou com uma crítica contundente: "Temos perdido uma série de oportunidades porque a Presidência da República tem sido capturada por grupos de interesse. Para piorar, pode aliar isso ao assalto criminoso contra empresas estatais. Estamos repetindo a mesma tragédia de 2014 e 2015".

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