Endividamento recorde de 81,2 milhões pode comprometer reeleição de Lula, alertam especialistas
Endividamento recorde ameaça reeleição de Lula, dizem analistas

Endividamento atinge patamar histórico e coloca em risco planos reeleitorais do presidente

Os trunfos econômicos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia utilizar em sua campanha à reeleição em 2026 esbarram em uma realidade preocupante: o número recorde de brasileiros endividados. Segundo o mais recente Mapa de Inadimplência do Serasa, divulgado em dezembro, o país conta com impressionantes 81,2 milhões de pessoas inadimplentes, o maior número da série histórica.

Programa Desenrola não resolveu problema estrutural

Em 2023, o governo federal lançou o programa Desenrola, uma promessa de campanha que previa a renegociação de dívidas de pessoas físicas. Na fase inicial, a iniciativa permitiu a renegociação de débitos de 15 milhões de brasileiros, totalizando 53,2 bilhões de reais em acordos — resultado amplamente celebrado pela comunicação oficial do Planalto.

Contudo, o problema do endividamento não apenas persistiu como se agravou significativamente. Quando Lula assumiu a presidência em 2023, o país registrava aproximadamente 70 milhões de inadimplentes. Em pouco mais de dois anos, esse número saltou para os atuais 81,2 milhões, demonstrando que medidas pontuais não foram suficientes para conter a escalada do problema.

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Especialistas alertam para impacto eleitoral do descontentamento

Analistas ouvidos por VEJA destacam que o excessivo número de pessoas endividadas pode representar um obstáculo considerável aos planos reeleitorais do atual governo. Apesar de indicadores macroeconômicos como inflação controlada, redução do desemprego e crescimento do PIB apresentarem números positivos, a realidade do endividamento pessoal gera um descontentamento que pode se traduzir em votos contra a continuidade.

"Os dados revelados indicam uma questão relevante que tende a impactar o voto na eleição presidencial de 2026", ressalta o advogado Donne Pisco, especialista em direito do consumidor. "O endividamento tem o potencial de gerar uma sensação descolada da realidade dos números da macroeconomia e repercutir negativamente na intenção de voto, o que também pode estar por trás do alto percentual de reprovação do presidente Lula".

Pesquisas de opinião reforçam cenário desfavorável

O CEO da Quaest, Felipe Nunes, também chama atenção para a dimensão política da inadimplência. Ele afirma que, mesmo que a economia apresente bons números no ano eleitoral, isso "não necessariamente" beneficiará Lula nas urnas. Por outro lado, se a situação econômica piorar, certamente vai "atrapalhar bem os planos do governo".

A última pesquisa Quaest confirma que a situação do presidente não é confortável:

  • 57% dos entrevistados afirmam que Lula não merece continuar mais quatro anos à frente do governo
  • Apenas 39% responderam positivamente à mesma pergunta
  • 55% acreditam que o Brasil está indo na direção errada
  • 36% consideram que o país segue na direção certa

Inadimplência como reflexo de juros elevados e desequilíbrio fiscal

É importante destacar que o termo "inadimplente" se refere a todo cidadão que não consegue pagar dívidas já vencidas. Grande parte dessa situação decorre dos juros elevados que persistem na economia brasileira, pressionados por um governo que, segundo analistas, gasta mais do que arrecada.

Enquanto medidas como isenção do Imposto de Renda para faixas específicas e redução do desemprego não atingem a totalidade da população, o endividamento atinge níveis sem precedentes, criando um descompasso entre os números macroeconômicos e a percepção individual do bem-estar financeiro.

O cenário eleitoral de 2026 promete ser influenciado significativamente por essa realidade, transformando a inadimplência em uma variável política de peso que poderá definir os rumos do pleito presidencial.

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