ENBPar pode precisar de aporte do Tesouro em 2027 devido a pressões financeiras
ENBPar pode precisar de aporte do Tesouro em 2027

A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que controla a Eletronuclear, pode necessitar de um aporte financeiro do Tesouro Nacional em 2027. A informação consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo governo ao Congresso Nacional na semana passada.

Pressão financeira sobre a ENBPar

A situação econômico-financeira da Eletronuclear, responsável pela operação das usinas Angra 1 e 2 e pela construção de Angra 3, gera pressão sobre a ENBPar. A estatal precisa de investimentos para estender a vida útil de Angra 1 e enfrenta incertezas quanto à conclusão de Angra 3.

Segundo o PLDO, a indefinição sobre o futuro de Angra 3 e os custos associados, além do descasamento entre investimentos e receitas de longo prazo, mantêm o risco fiscal no horizonte analisado. O documento ressalta que a materialização desse risco depende de decisões de política pública setorial, da modelagem do empreendimento e da capacidade de financiamento, não configurando obrigação fiscal certa no momento.

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Custos de manutenção de Angra 3

A Eletronuclear gasta mais de R$ 1 bilhão por ano com a manutenção de Angra 3. O presidente interino da empresa, Alexandre Caporal, afirmou que a situação estrutural precisa ser resolvida. Em dezembro de 2025, ele disse que a empresa não suporta mais o custo sem fonte de recurso, aguardando definição do governo ou suspensão da dívida. Em fevereiro de 2026, alertou que o caixa estava se esgotando, comparando a situação à crise dos Correios.

Estrutura acionária da Eletronuclear

A Eletronuclear é uma sociedade de economia mista controlada pela ENBPar, que detém 64,7% do capital votante. O restante pertence à Âmbar Energia, do grupo J&F, que adquiriu a participação da antiga Eletrobras (hoje Axia) em outubro de 2025 por cerca de R$ 535 milhões. A Âmbar ficou com 36% do capital votante e 68% do capital total, assumindo obrigações como debêntures de Angra 3.

Déficit das estatais federais

Em 2025, as estatais federais registraram déficit de R$ 5,1 bilhões, o segundo pior resultado histórico, puxado pelos Correios. No primeiro bimestre de 2026, o déficit chegou a R$ 4,1 bilhões. O Banco Central exclui do cálculo Petrobras e instituições financeiras como Banco do Brasil e Caixa. Empresas como Correios, Infraero, Hemobrás e Casa da Moeda estão incluídas.

O PLDO também aborda a Infraero, que, apesar de não precisar de aporte no curto prazo, pode ter sustentabilidade comprometida no longo prazo devido à redução de receita após perder a administração de dezenas de aeroportos para concessionárias.

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