Dario Durigan assumirá Ministério da Fazenda após saída de Haddad, anuncia Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira (19) que o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, assumirá o comando do ministério quando Fernando Haddad deixar o cargo para concorrer ao governo de São Paulo. A revelação ocorreu durante um evento em São Paulo, onde Lula pediu para Durigan se levantar e se apresentar ao público.
"Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario levanta aí, levanta para as pessoas conhecerem o Dario. Será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas", afirmou o presidente durante o evento, que contou com a presença do atual ministro.
Trajetória profissional do novo ministro
Dario Durigan está no Executivo desde 2023 e teve participação ativa em medidas importantes da área econômica, incluindo:
- Implementação das chamadas "medidas de recomposição de receitas" (aumentos de tributos)
- Articulação e regulamentação da reforma tributária sobre consumo
- Fechamento de renegociação sobre a dívida dos estados
Antes de ingressar na área econômica do governo, Durigan acumulou experiência diversificada:
- Trabalhou como consultor na Advocacia-Geral da União entre 2017 e 2019
- Atuou no setor privado como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp de 2020 a 2023
- Integrou a equipe de Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo em 2015 e 2016
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), o futuro ministro é conhecido por seu perfil discreto e menos afeito aos holofotes, mas possui bom trânsito dentro do governo e é considerado um articulador eficiente junto aos setores da economia real.
Desafios imediatos na Fazenda
À frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan enfrentará uma série de desafios complexos durante o período eleitoral:
Coordenação da área econômica durante campanha presidencial: O novo ministro terá de conduzir as políticas econômicas enquanto Lula busca a reeleição, período tradicionalmente marcado por tensões políticas, embates com a oposição e disseminação de notícias falsas.
Agenda tributária e social: Entre os temas prioritários estão:
- Fim da jornada 6 por 1
- Revisão do Imposto de Renda sobre lucros e resultados dos trabalhadores
- Possível revisão de benefícios sociais
- Reforma de encargos sobre a folha de pagamentos
Reforma tributária e questões orçamentárias
A implementação da reforma tributária representa um dos maiores desafios para 2026. O governo trabalha para implementar a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) em 2027, com período de testes previsto para este ano.
Um ponto particularmente polêmico que ainda precisará ser debatido no Congresso é o imposto seletivo, conhecido como "imposto do pecado", que incidirá sobre produtos com externalidade negativa na economia, como bebidas alcoólicas e cigarros. A regulamentação tende a aumentar preços desses produtos, criando um debate delicado em ano eleitoral.
Meta fiscal e restrições orçamentárias: Durigan terá de conduzir o processo orçamentário até o fim de 2026, período no qual o governo tem como meta retomar o superávit em suas contas, considerando os limites do arcabouço fiscal aprovado em 2023.
Para este ano, a meta estabelece saldo positivo de 0,25% do PIB (cerca de R$ 34,3 bilhões), com intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual. No entanto, análises indicam que, na prática, o governo pode enfrentar um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026.
As restrições impostas pelo arcabouço fiscal limitam o aumento real das despesas totais a 2,5% ao ano, comprimindo o espaço para investimentos e despesas livres do governo enquanto gastos obrigatórios continuam crescendo.
Cenário internacional e medidas emergenciais
O novo ministro também herdará um cenário internacional complicado, com a guerra no Oriente Médio impactando diretamente o preço do petróleo, que já disparou para mais de US$ 100 por barril (contra US$ 72 antes do conflito).
Esse aumento tende a gerar mais inflação via contaminação dos preços dos combustíveis e pode afetar a redução da taxa de juros e a geração de empregos. O Ministério da Fazenda já anunciou um pacote de medidas para mitigar esses efeitos, incluindo redução de impostos e subsídios para o diesel.
A transição no comando da Fazenda ocorre em um momento crucial para a economia brasileira, com Durigan assumindo responsabilidades que incluem desde a condução de políticas macroeconômicas até a implementação de reformas estruturais em meio a um ambiente político polarizado e desafios fiscais significativos.



