Governo Lula planeja liberar saque do FGTS para alívio de endividamento
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, recém-chegado à pasta, anunciou uma proposta que pode beneficiar milhões de trabalhadores brasileiros. Em entrevista exclusiva ao jornal Folha de S. Paulo, Durigan revelou que está em discussão a possibilidade de permitir que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos realizem saques de até 20% do valor depositado em suas contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento de dívidas.
Medida pode atingir mais de 90% dos trabalhadores formais
Segundo as estimativas apresentadas pelo ministro, essa regra específica de renda permitiria que mais de 90% dos trabalhadores com vínculo empregatício no país fossem contemplados pela medida. Durigan, que sucedeu Fernando Haddad no comando da equipe econômica, enfatizou que o limite de 20% do saque da conta individual foi cuidadosamente estudado para garantir um impacto contido que não comprometa a sustentabilidade financeira do fundo a longo prazo.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já havia adiantado anteriormente que aproximadamente 7 bilhões de reais do FGTS seriam liberados, com o objetivo explícito de beneficiar cerca de 10 milhões de trabalhadores endividados. No entanto, Durigan ampliou significativamente essa perspectiva durante sua entrevista, afirmando que o pacote completo de combate ao endividamento poderá atingir impressionantes 30 milhões de pessoas em todo o território nacional.
Descontos de até 90% e juros reduzidos a 2,5% ao mês
O plano apresentado pelo ministro inclui condições extremamente vantajosas para os devedores. Durigan mencionou a possibilidade de descontos de até 90% no valor total das dívidas, combinados com uma taxa de juros significativamente reduzida, na faixa de 2,5% ao mês. Para viabilizar essas condições, o governo federal pretende oferecer uma garantia de crédito aos bancos através do Fundo de Garantia de Operações (FGO), criando um incentivo para que as instituições financeiras aceitem renegociações com termos mais brandos.
"Espero que seja de até 90%. Um exemplo prático: se um trabalhador tem uma dívida de R$ 10 mil com juros de 8% ao mês, essa situação se torna impagável. Com um desconto de 90%, a dívida cai para R$ 1.000. E, com a garantia do FGO, esse valor restante pode ser rolado a uma taxa de juros de apenas 2% ou 2,5% ao mês, que é muito menor e realmente pagável", explicou Durigan em detalhes durante a entrevista.
Objetivo é estabelecer acordos com instituições financeiras
A estratégia do Ministério da Fazenda envolve negociar diretamente com os bancos para estabelecer um desconto mínimo obrigatório nas renegociações e, ao mesmo tempo, limitar o valor máximo das taxas de juros aplicadas nessas operações. Durigan expressou confiança em conseguir pactuar esses termos com o sistema financeiro, criando assim um mecanismo eficaz de alívio para trabalhadores sobrecarregados por dívidas.
Esta iniciativa representa uma das primeiras medidas concretas do novo ministro frente aos desafios econômicos do país, particularmente no que diz respeito ao endividamento das famílias brasileiras. A proposta ainda está em fase de discussão e detalhamento, mas já sinaliza uma abordagem pragmática para enfrentar um problema que afeta milhões de cidadãos em todo o Brasil.



