Doria faz crítica pública a Lula por linguagem beligerante sobre eleições de 2026
O ex-governador de São Paulo, João Doria, enviou um recado direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após declarações do petista que classificaram a disputa eleitoral de 2026 como uma "guerra". A mensagem foi transmitida durante um almoço promovido pelo LIDE — Grupo de Líderes Empresariais, na tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, na cidade de São Paulo.
Transmissão do recado via presidente do PT
O "puxão de orelha" político foi direcionado a Edinho Silva, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), que participou do encontro "Cenários do Brasil em 2026". Doria expressou preocupação com o impacto das palavras do presidente, afirmando: "Me chamou a atenção no discurso do presidente Lula uma frase que você, Edinho, não diria. Como eu sei que você dialoga bem com o presidente, e ele lhe ouve, vou tomar a liberdade aqui de pedir a você que sugira ao presidente que não use mais a expressão 'guerra'".
Contexto das declarações de Lula
As observações de Doria surgiram em resposta a um discurso proferido por Lula durante as comemorações do aniversário de 46 anos do PT, realizadas em Salvador no último sábado, 7 de fevereiro. Na ocasião, o presidente afirmou que a eleição de 2026 seria "uma guerra" e declarou que o "Lulinha paz e amor" havia chegado ao fim. O evento também foi marcado por cobranças internas do presidente em relação ao partido e críticas às disputas dentro da legenda.
Defesa de um processo eleitoral democrático
Doria enfatizou a importância de diferenciar uma disputa democrática de um conflito beligerante. Ele explicou: "Nós não teremos uma guerra na eleição, nós teremos uma disputa. É diferente. Ao expressar a palavra 'guerra', você estimula que o outro lado também assuma que vai enfrentar uma guerra". O ex-tucano alertou que, quando um presidente da República utiliza tal terminologia, isso pode legitimar e encorajar grupos extremistas a adotarem uma retórica similar, potencialmente inflamando tensões políticas.
O empresário reforçou seu ponto de vista ao afirmar: "Eleição é o momento em que todos os brasileiros poderão votar livremente e escolher pela manutenção do atual governo ou eventualmente das mudanças, mas sem guerra. Tudo o que nós não precisamos é de guerra". Doria também destacou que, apesar das diferenças partidárias — ele foi filiado ao PSDB —, sempre manteve um relacionamento respeitoso com Edinho Silva, sem ofensas ou brigas.
Elogios à atuação durante a pandemia
Além da crítica, Doria aproveitou o momento para reconhecer o trabalho de figuras petistas durante a pandemia de Covid-19. Ele elogiou a gestão de Edinho Silva como prefeito de Araraquara e a atuação de Wellington Dias, atual ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, que também estava presente no almoço. Na época, Dias era governador do Piauí e coordenava discussões sobre vacinas no Fórum de Governadores.
O ex-governador lembrou o protagonismo do estado de São Paulo em seu mandato (2019-2022) e a colaboração entre líderes estaduais para pressionar o governo federal sob Jair Bolsonaro, visando a expansão da vacinação e o apoio a medidas preventivas contra a doença.
Implicações para o cenário político brasileiro
Este episódio ilustra as tensões e os debates em torno do discurso político no Brasil, especialmente em um contexto eleitoral futuro. A intervenção de Doria reflete preocupações mais amplas sobre a polarização e a necessidade de preservar a integridade dos processos democráticos. Ao mesmo tempo, os elogios à cooperação durante a pandemia sugerem que, apesar das divergências, há espaço para reconhecimento mútuo e trabalho conjunto em questões críticas para o país.
O almoço do LIDE, que receberá outros líderes partidários nos próximos meses, serve como um fórum para discussões estratégicas sobre o futuro do Brasil, destacando a importância do diálogo entre setores empresariais e políticos na construção de cenários para 2026.



