Pesquisa Datafolha revela cenário desafiador para a direita na corrida ao Senado por São Paulo
Uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, 10 de março de 2026, aponta um cenário extremamente difícil para os candidatos da direita na disputa pelas duas vagas ao Senado Federal pelo estado de São Paulo. O levantamento, realizado entre os dias 3 e 5 de março, entrevistou 1.608 eleitores paulistas e possui margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Liderança consolidada dos ministros do governo Lula
Os resultados mostram uma liderança folgada dos ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre todos os nomes testados do campo conservador. Em ambos os cenários analisados – com Fernando Haddad (PT) ou Geraldo Alckmin (PSB) – os representantes do governo federal aparecem na dianteira das intenções de voto.
No cenário que inclui Haddad, o ministro da Fazenda registra 30% das intenções de voto, seguido por Simone Tebet (MDB) com 25%, Márcio França (PSB) com 20% e Marina Silva (Rede) com 18%. Já os nomes da direita como Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) aparecem com apenas 14% e 13%, respectivamente.
Indefinição na chapa conservadora preocupa aliados
Enquanto a esquerda ainda não definiu oficialmente seus candidatos, a direita enfrenta uma situação ainda mais complicada com a indefinição sobre quem ocupará a segunda vaga na chapa conservadora. Até o momento, apenas Guilherme Derrite tem sua candidatura selada pelo PP.
A outra vaga seria destinada a Eduardo Bolsonaro, que permanece nos Estados Unidos desde o ano passado tentando pressionar a Justiça brasileira a mudar a situação do pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. A ausência de Eduardo embaralha completamente o cenário dentro do PL, que pode lançar Mario Frias (favorito do Zero Três), Rosana Valle (preferida de Michelle Bolsonaro) ou ainda outro nome como o pastor Marco Feliciano.
Números revelam distância significativa entre os campos
Os números da pesquisa são contundentes: os candidatos do PL testados – Rosana Valle e Gil Diniz – marcaram menos de 10% das intenções de voto, com 7% e 3% respectivamente no cenário com Haddad. No cenário com Alckmin, os números são ainda mais desfavoráveis, com 6% e 3%.
O levantamento também revela um percentual significativo de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco/nulo: 15% para a primeira vaga e 21% para a segunda vaga no cenário com Haddad, e 14% e 20% respectivamente no cenário com Alckmin.
Contexto político e implicações eleitorais
A pesquisa Datafolha registrada na Justiça Eleitoral sob os protocolos BR-06798/2026 e SP-04136/2026 chega em um momento crucial da campanha eleitoral, com as eleições marcadas para outubro. Os resultados sugerem que a direita paulista enfrenta não apenas a popularidade dos ministros do governo federal, mas também problemas internos de organização e definição de candidaturas.
Enquanto nomes como Haddad, Alckmin, Tebet e França consolidam suas posições, os representantes conservadores precisam superar a fragmentação e a falta de unidade para tentar reverter o quadro atual. A pesquisa serve como um alerta vermelho para as lideranças da direita em São Paulo, que terão pouco mais de seis meses para reorganizar suas estratégias e tentar conquistar o eleitorado paulista.
