União inédita entre direita e esquerda aprova ampliação da licença-paternidade
A senadora Damares Alves (PL-DF) fez questão de destacar a parceria histórica com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) durante a aprovação do projeto que aumenta a licença-paternidade no Senado. Em discurso emocionado, a parlamentar bolsonarista ressaltou como o tema uniu espectros políticos tradicionalmente opostos.
Projeto aprovado com aumento gradual até 2028
O texto aprovado de maneira simbólica prevê uma expansão progressiva do benefício: dos atuais cinco dias para dez dias nos dois primeiros anos após a vigência da lei, quinze dias no terceiro ano e vinte dias a partir do quarto ano. Além disso, os pais poderão dividir o período, utilizando 50% logo após o nascimento ou adoção e o restante em até 180 dias.
"Minha deputada Tabata, isso nos uniu. Isso uniu direita e esquerda", declarou Damares durante a sessão, olhando diretamente para Amaral, que respondeu com sorrisos e gestos de concordância. A senadora acrescentou: "Ninguém entendia como eu e Tabata estávamos juntas nessa história toda. Tem uma frente parlamentar mista, ela é a presidente, eu sou a vice".
Mudanças significativas no custeio e situações especiais
O projeto traz transformações importantes na forma como o benefício é financiado. Atualmente bancado pelas empresas contratantes, o custo da licença-paternidade passará a ser responsabilidade da Previdência Social. A remuneração dos pais continuará integral durante todo o período de afastamento.
Em casos trágicos onde a mãe venha a falecer após o parto, os pais terão direito ao período completo da licença-maternidade, que é de 120 dias. Esta medida busca oferecer suporte adequado em situações familiares extremamente delicadas.
Trajetória política de Damares e aproximação com novas pautas
A senadora, que comandou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante o governo Bolsonaro (2019-2022), tradicionalmente associada a posições conservadoras, tem demonstrado abertura para discussões sociais mais amplas nos últimos anos. Ela já defendeu publicamente cotas para mulheres trans e travestis, argumentando sentir "identificação muito grande" com essas pessoas.
"É muito fácil você conseguir um emprego para um gay, para uma lésbica. Mas a travesti, pelo jeito exuberante dela, você não encontra travesti em um banco, trabalhando", declarou Damares em julho de 2025, destacando as dificuldades específicas enfrentadas por essa população no mercado de trabalho.
Apesar dessas posições mais recentes, a parlamentar mantém sua identidade conservadora, com discursos focados na defesa da família tradicional, posicionamento antiaborto e oposição à chamada ideologia de gênero.
Próximos passos e expectativas
O projeto relatado pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa é que a medida seja implementada rapidamente, trazendo benefícios concretos para milhares de famílias brasileiras.
Damares revelou ainda que possui um projeto próprio sobre o mesmo tema guardado no Senado, mas optou por apoiar a proposta atual por considerar que teria mais chances de aprovação na Câmara dos Deputados. "O meu está guardado [agora], porque a gente ia conseguir aprovar esse [atual] na Câmara. Nós estamos avançando", completou a senadora, demonstrando respeito pela oponente em outras temáticas políticas.
Esta colaboração entre parlamentares de espectros políticos distintos representa um momento significativo no Congresso Nacional, mostrando que certas pautas sociais podem transcender divisões ideológicas tradicionais quando há disposição para o diálogo e trabalho conjunto.
