Copom corta juros em 0,25 ponto e Fed mantém taxa inalterada
Copom corta juros em 0,25 ponto e Fed mantém taxa

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,5% ao ano. Esta é a segunda redução consecutiva nessa magnitude. Enquanto isso, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, optou por manter sua taxa de juros inalterada, no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022.

Guerra no Oriente Médio pesa nas decisões

A escalada do conflito militar no Golfo Pérsico e na Europa tem pressionado o preço do petróleo, gerando incertezas econômicas globais. Segundo Sergio Goldbaum, economista da FGV, "o cenário não podia ser mais incerto. No curto prazo, há uma situação de conflito militar no Golfo Pérsico, na Europa, pressionando o preço do petróleo. Agora em maio, haverá a mudança do presidente do Federal Reserve System dos Estados Unidos". A inflação, impulsionada pela alta do petróleo como consequência da guerra, é a principal preocupação dos bancos centrais.

Impacto nos mercados brasileiros

A expectativa pela decisão do Copom esfriou os negócios no Brasil. A bolsa brasileira registrou queda e o dólar fechou em alta, cotado a R$ 5. A nova taxa de juros foi anunciada após o fechamento do mercado. No comunicado, o comitê citou a indefinição do conflito no Oriente Médio, a inflação acima da meta e adotou um tom de cautela, sem sinalizar claramente os próximos passos.

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Análise de economistas

Rodrigo Marcatti, presidente-executivo da Veedha Investimentos, avalia que os juros altos são consequência do desequilíbrio nas contas públicas brasileiras. "O Banco Central só consegue cortar juros de forma consistente quando o governo também faz a sua parte através da política fiscal. Se a gente tem um governo gastando muito, gastando mais do que pode, inclusive, nada adianta o Banco Central tentar colocar uma taxa de juros mais restritiva para a economia, porque a conta não vai fechar do mesmo jeito no final do dia", afirmou.

Os economistas destacam que o espaço para cortes adicionais é limitado, dada a pressão inflacionária e a incerteza geopolítica. A decisão do Fed de manter os juros reflete a mesma preocupação com a inflação global. A expectativa é que os próximos movimentos dos bancos centrais dependam da evolução do conflito no Oriente Médio e dos indicadores econômicos domésticos e internacionais.

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