Presidente do BRB aciona STF para recuperar fluxo financeiro após caso Master
BRB aciona STF para recuperar recursos após caso Master

Presidente do BRB passa o dia em reunião fechada na CLDF e detalha ações judiciais

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, dedicou esta segunda-feira (2) a uma extensa reunião com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal, com duração superior a nove horas. Durante o encontro, ele revelou que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma tentativa de recuperar o fluxo financeiro das carteiras de crédito que o BRB adquiriu do Banco Master.

Busca por recursos através do STF

Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central, os bens que pertenciam ao Master foram transferidos para um liquidante, responsável por encerrar as atividades da instituição e quitar compromissos pendentes. Nelson Souza explicou que a ação junto ao STF visa garantir que todo o fluxo financeiro das carteiras que estão no BRB, mas foram adquiridas do Master, e que atualmente segue para o liquidante, seja redirecionado para o banco distrital.

"Entramos com uma ação junto ao STF para que todo o fluxo financeiro das carteiras que estão no BRB e foram adquiridas no Master, que está indo para o liquidante, venha para nós. E as carteiras que estão ainda em posse do liquidante, que forem oriundas do Banco Master, também venham para nós", afirmou o presidente em entrevista. "Isso nos dá liquidez, com certeza nós estamos somando esse número. Nós temos que ter esse contato com o liquidante – já tivemos presencialmente, mas nós achamos por bem entrarmos com uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal", completou.

Rombo estimado em R$ 8 bilhões e medidas de recuperação

Se o STF determinar o repasse desses recursos, eles poderão auxiliar o BRB a cobrir o déficit gerado pelas transações malsucedidas com o Banco Master, estimado em R$ 8 bilhões. "Fomos bastante conservadores na definição desse valor. Tem uma auditoria do Banco Central, uma auditoria independente e tem todos os órgãos de controle e reguladores acompanhando. Em todos eles, a provisão é de aproximadamente R$ 8 bilhões e o aporte de capital, na faixa máxima de R$ 6,6 bilhões", detalhou Souza.

O governo do Distrito Federal busca o aval dos deputados distritais para repassar nove imóveis ao BRB, com valor estimado em cerca de R$ 6,6 bilhões, a fim de recompor o patrimônio do banco, prejudicado pelo caso Master. No entanto, a reunião encerrou com críticas de deputados de oposição e até aliados ao governo Ibaneis Rocha (MDB), que apontaram lacunas não respondidas sobre os valores e o uso desses imóveis. A votação do projeto nesta semana permanece incerta.

Origens do rombo e investigações em andamento

Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master, sendo que, segundo a Polícia Federal, pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações com fortes indícios de fraude. Há dúvidas sobre o verdadeiro valor dos ativos comprados pelo BRB, e com a liquidação do Master, boa parte desses ativos foi retida, sem integrar o patrimônio do banco distrital.

  • O Ministério Público Federal identificou "indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master".
  • Nelson Antônio de Souza assumiu o BRB após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que mirou o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa.
  • A atual gestão do BRB e uma auditoria independente continuam investigando a situação interna da instituição.

Pressão política e assembleia de acionistas

O governo Ibaneis esperava aprovar o projeto de lei sobre os imóveis ainda em fevereiro, mas deputados de oposição e aliados têm expressado resistência, vendo a proposta como uma manobra para "salvar o calendário eleitoral" de agentes políticos, em vez de salvar o patrimônio do BRB. Quanto maior o atraso, mais complicadas ficam as condições do BRB para captar dinheiro no mercado financeiro.

Enquanto aguarda o aval da Câmara Legislativa, o BRB já convocou uma assembleia de acionistas para 18 de março, com proposta de emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar recursos. Com essa emissão, o banco espera aumentar seu capital social em, no mínimo, R$ 529 milhões e, no máximo, R$ 8,86 bilhões, podendo elevar o capital total para R$ 11,2 bilhões, quase quatro vezes o valor atual de R$ 2,34 bilhões.

Além disso, no início de fevereiro, o BRB entregou ao Banco Central um "plano preventivo" com medidas para recompor seu patrimônio e evitar descumprimento de regras de solidez do mercado financeiro brasileiro, documento mantido sob sigilo.