Bancada feminina intensifica pressão sobre Hugo Motta para votação do PL da misoginia
A bancada feminina da Câmara dos Deputados está preparando uma nova ofensiva para pressionar o presidente da Casa, Hugo Motta, a pautar o projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo e estabelece penas mais severas para delitos de ódio contra mulheres. A iniciativa, encabeçada pela deputada Jack Rocha, coordenadora do grupo, deve ocorrer na próxima reunião do colégio de líderes partidários, em resposta a rumores de um acordo para adiar a votação até após as eleições.
Preocupação com adiamento e urgência do tema
Em entrevista ao Radar, Jack Rocha expressou profunda preocupação com a possibilidade de o projeto, já aprovado pelo Senado, ficar engavetado. Ela argumenta que postergar a apreciação da matéria representa um retrocesso significativo, diante da necessidade urgente de combater o avanço do ódio e da discriminação de gênero no Brasil. “Esse tema não pode ser tratado como secundário, nem adiado por conveniência política. Não pautar é, na prática, atrasar a proteção das mulheres brasileiras”, afirmou a deputada, ressaltando que as articulações para garantir a pauta continuam firmes.
A estratégia das parlamentares visa evitar que a proposta seja relegada a um plano inferior nas prioridades legislativas, especialmente em um contexto onde casos de violência motivada por gênero têm ganhado destaque nacional. A bancada feminina enfatiza que a legislação atual precisa ser fortalecida para oferecer uma resposta mais eficaz e dissuasória a crimes baseados em misoginia.
Contexto político e próximos passos
O movimento surge em um momento delicado da agenda política, com eleições se aproximando e possíveis manobras para adiar temas considerados polêmicos. A deputada Jack Rocha e suas colegas planejam usar a próxima reunião do colégio de líderes para reiterar a importância do projeto, destacando que sua aprovação é crucial para avançar nos direitos das mulheres e no combate à discriminação estrutural.
Além disso, a bancada está mobilizando apoio entre outros parlamentares e setores da sociedade civil, visando criar uma pressão ampla que obrigue a inclusão do PL na pauta de votações. A expectativa é que, com essa ofensiva renovada, Hugo Motta reveja sua posição e acelere o processo legislativo, assegurando que o tema receba a atenção devida no plenário da Câmara.
Enquanto isso, especialistas em direitos humanos alertam que a demora na votação pode enviar um sinal negativo sobre o compromisso do país com a igualdade de gênero, potencialmente agravando a sensação de impunidade em casos de violência contra mulheres. A bancada feminina insiste que o momento para agir é agora, sem mais delongas.



