Nos bastidores, aliados do governo Lula discutem dois caminhos após a recente derrota no Senado Federal. De um lado, há quem defenda a busca por composição para garantir a aprovação de projetos prioritários. De outro, cresce a corrente que aposta no enfrentamento direto com o Congresso Nacional.
Estratégia de confronto ganha força
Entre parte do grupo governista, a avaliação é de que os momentos em que o governo conseguiu reagir melhor às derrotas foram aqueles em que adotou um discurso de confronto, apontando o Congresso como responsável por barrar medidas e prejudicar a população. Nesse contexto, ganha força a ideia de indicar uma mulher para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Cálculo político por trás da indicação
A estratégia tem um cálculo político claro. Interlocutores ouvidos pelo blog avaliam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dificilmente colocaria um novo nome indicado pelo governo para avançar antes das eleições. Com isso, o governo poderia construir o discurso de que fez a indicação, mas Alcolumbre travou o processo.
O movimento também dialoga com o cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, tem desempenho mais fraco entre as mulheres. A indicação feminina entraria diretamente nesse discurso. A ideia é simples: o governo indicaria uma mulher e passaria a dizer que Alcolumbre não quis colocar o nome para andar. A partir daí, o embate seria direto, com a narrativa de que esse grupo não é amigo das mulheres e atua contra o próprio governo. Essa estratégia já foi usada antes, como no caso do IOF.
Leitura sobre o Senado
Essa conta também passa por uma leitura sobre o próprio Senado. A avaliação é de que Davi Alcolumbre só iria para um confronto direto com o governo, até o limite, se estivesse convencido de que o governo pode perder a eleição neste ano. E é exatamente essa a leitura que circula em Brasília hoje.
Alcolumbre já percebeu que o vento está soprando para a oposição e fez uma sinalização nesse sentido também pensando no próprio futuro: a eleição para a presidência do Senado em 2027. Mas há um fator adicional nesse cálculo.
O papel da oposição
Se a oposição vencer a eleição presidencial, já há um nome colocado para comandar a Casa, o do senador Rogério Marinho. Foi o próprio Marinho quem afirmou que a oposição pediu a Alcolumbre para não colocar mais nenhum nome indicado pelo governo para ser sabatinado até depois da eleição.



