Alepe retoma atividades com pauta prioritária de projetos financeiros do governo Raquel Lyra
Alepe vota projetos financeiros prioritários após recesso

Alepe retoma atividades com pauta prioritária de projetos financeiros do governo Raquel Lyra

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) retomou suas atividades na segunda-feira, dia 2, após o recesso parlamentar, com uma agenda focada em questões financeiras cruciais para o estado. Pelo menos quatro projetos enviados pelo Executivo estadual, sob o comando da governadora Raquel Lyra (PSD), devem nortear as discussões nas primeiras semanas de trabalho dos deputados em 2026.

Conforme apurado, esses projetos são considerados prioritários pelo governo e tratam essencialmente de aspectos orçamentários e de gestão fiscal. Inclusive, foi por causa deles que o governo encaminhou uma convocação extraordinária aos deputados no início de janeiro, destacando a urgência na tramitação.

Principais projetos em pauta

Os quatro projetos que devem ser votados na Alepe incluem:

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  • Lei Orçamentária Anual (LOA): Estima a arrecadação e fixa as despesas para o ano de 2026.
  • Renegociação da dívida pública: Autoriza a contratação de empréstimos de R$ 5,2 bilhões para reestruturar dívidas estaduais.
  • Ajustes em empréstimo de R$ 1,7 bilhão: Permite a utilização de recursos em programas sociais, como o Pernambuco sem Fome.
  • Repasse de recursos pelo TJPE: Prorroga o prazo de repasse de R$ 180 milhões do Tribunal de Justiça de Pernambuco para ações de segurança e ressocialização.

Lei Orçamentária Anual: um imbróglio político

Neste ano, a LOA se tornou um ponto de tensão entre o Executivo e o Legislativo. O estado tem duas versões diferentes da lei para 2026: uma sancionada pela governadora Raquel Lyra e outra promulgada pelo presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), que foi posteriormente revogada pela Justiça.

O projeto do orçamento foi enviado pela governadora em 3 de outubro de 2025 e aprovado em 16 de dezembro, mas os deputados impuseram alterações, incluindo um aumento de R$ 350 milhões na arrecadação estimada. Eles argumentaram que o Executivo subestimou algumas receitas e transferiram recursos para áreas como a construção de um hospital em Petrolina.

Raquel Lyra vetou a maioria das mudanças em 22 de dezembro, mas Álvaro Porto recusou a mensagem de veto, alegando irregularidades formais, e promulgou a LOA conforme aprovada pela Alepe. O governo, então, obteve um mandado de segurança no Tribunal de Justiça de Pernambuco, anulando a versão promulgada por Porto, com base em violação do processo legislativo.

A discussão e votação dos pareceres parciais da LOA, com os vetos da governadora, estão agendadas para 3 de março, seguida pela apreciação final uma semana depois. Para o governo, a aprovação da LOA é prioritária no primeiro trimestre, pois atrasos podem travar obras e entregas da gestão.

Detalhes dos outros projetos financeiros

A renegociação da dívida pública busca autorizar empréstimos de R$ 2,5 bilhões junto ao Banco do Brasil e R$ 2,7 bilhões na Caixa Econômica Federal, totalizando R$ 5,2 bilhões. O objetivo é melhorar o perfil da dívida estadual, fortalecendo o equilíbrio fiscal e permitindo a continuidade das políticas públicas sem prejuízos financeiros.

Já os ajustes no empréstimo de R$ 1,7 bilhão, aprovado em dezembro, visam permitir a utilização dos recursos no Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). Isso beneficiaria programas sociais como o Pernambuco sem Fome, que inclui subprogramas como o Mães de Pernambuco, com auxílio mensal de R$ 300 para mulheres de baixa renda, e o Bom Prato, com cozinhas comunitárias para pessoas em vulnerabilidade.

Por fim, o projeto que prorroga o repasse de R$ 180 milhões do Tribunal de Justiça de Pernambuco até 31 de dezembro de 2025 busca regularizar um atraso. Os recursos, provenientes de superávit do Fundo Especial de Reaparelhamento e Modernização do Poder Judiciário, são destinados a ações de ressocialização, repressão à criminalidade e combate à violência.

Com a retomada das atividades, a Alepe enfrenta um período decisivo para a estabilidade financeira e social de Pernambuco, com debates que podem definir o rumo das políticas estaduais nos próximos meses.

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