O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), declarou que as pesquisas eleitorais mais recentes representam apenas um retrato do momento atual e que a campanha eleitoral propriamente dita só terá início após a realização das convenções partidárias. Em suas palavras, "Pesquisa é momento. A campanha só vai começar depois que tiver as convenções [partidárias]. Aí, sim, com as convenções definidas, você vai saber quem efetivamente é o candidato, quais são as chapas".
Participação em evento e expectativas para agosto
Alckmin proferiu essas declarações durante uma palestra realizada na sede da União Geral dos Trabalhadores (UGT), localizada em São Paulo, nesta segunda-feira, dia 13 de maio. O vice-presidente expressou sua convicção de que a participação e o interesse popular nas eleições e nos candidatos devem aumentar significativamente a partir do mês de agosto, quando as campanhas eleitorais são iniciadas, conforme o calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com o início desse período, Alckmin acredita que o eleitorado terá a oportunidade de comparar de forma mais clara as propostas apresentadas por cada candidato. "Começa o debate, vai ter maior participação no interesse da população e eu acredito na comparação. Acho que as campanhas existem para isso, para você comparar", afirmou o vice-presidente, enfatizando a importância do contraste entre as plataformas políticas.
Contexto das declarações e dados do Datafolha
Os comentários de Alckmin sobre os resultados das pesquisas eleitorais foram proferidos logo após a divulgação de um novo levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, ocorrida no sábado, dia 11 de maio. A pesquisa revelou que, em um eventual segundo turno para a Presidência da República, o atual presidente Lula (PT) registra 45% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 46%.
Esses números representam uma mudança em relação ao levantamento anterior, realizado em março, quando o instituto apontou que o presidente Lula possuía 46% das intenções de voto contra 43% do filho do ex-presidente Bolsonaro. Em dezembro do ano passado, o cenário era ainda mais distinto, com Lula marcando 51% e o senador Flávio Bolsonaro registrando 36%.
Detalhamento dos números do segundo turno
- Lula (PT): 45% (eram 46% em março e 51% em dezembro)
- Flávio Bolsonaro (PL): 46% (eram 43% em março e 36% em dezembro)
- Branco/nulo/nenhum: 8% (eram 10% em março e 12% em dezembro)
- Não sabem: 1% (permaneceu estável em 1% tanto em março quanto em dezembro)
Simulação do primeiro turno e polarização
Na simulação referente ao primeiro turno, a pesquisa Datafolha confirmou a forte polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Quando os nomes dos pré-candidatos são apresentados aos eleitores, Lula mantém a liderança com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou positivamente dois pontos percentuais, passando de 33% para 35%. Essa movimentação aponta para uma tendência de empate técnico, situando-se no limite da margem de erro estabelecida pela pesquisa.
De acordo com os dados analisados, a curva do senador Flávio Bolsonaro demonstra ser ascendente, enquanto a do presidente Lula apresenta sinais de estagnação. Na pesquisa anterior, de março, Lula liderava os cenários de primeiro turno com índices que variavam entre 38% e 39%, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro oscilava entre 32% e 34%.
Números da pesquisa estimulada para o primeiro turno
- Lula (PT): 39%
- Flávio Bolsonaro (PL): 35%
- Ronaldo Caiado (PSD): 5%
- Romeu Zema (Novo): 4%
- Renan Santos (Missão): 2%
- Aldo Rebelo (DC): 1%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
- Em branco/nulo/nenhum: 10%
- Não sabem: 4%
Candidaturas ao Senado por São Paulo
Ao abordar o tema das duas vagas disponíveis para o Senado Federal pelo estado de São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou que os nomes dos futuros candidatos ainda estão em processo de definição. "Em relação ao Senado Federal, são duas vagas que devem ser preenchidas e os nomes estão sendo discutidos para gente chegar a dois", declarou Alckmin durante o evento.
Um dos nomes que deve integrar a chapa é o da ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet. Ela renunciou ao cargo ministerial para concorrer às eleições de outubro e, no dia 12 de março, confirmou publicamente que irá disputar uma das vagas pelo estado paulista. Em suas próprias palavras, "Tem seis meses que eu tenho sido provocada positivamente de que preciso cumprir um papel em nome do país. E quando isso chegou até mim, eu fui investigar a razão dessa convocação. E, para a minha grata surpresa, fui ver, inclusive, que São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para presidente da República. Foi onde eu tive mais votos, é onde eu tenho mais acentuação".
Natural do Mato Grosso do Sul e com uma carreira política consolidada no MDB do seu estado de origem, Simone Tebet realizou mudanças significativas em sua trajetória. Ela trocou de partido, filiando-se ao PSB, e também alterou seu domicílio eleitoral para poder concorrer oficialmente por São Paulo, demonstrando uma estratégia política cuidadosamente planejada para as eleições que se aproximam.



