Desafios de empreendedoras que trabalham com os filhos
Empreendedoras enfrentam o desafio de equilibrar autoridade e afeto ao trabalhar com os próprios filhos. Josiane Machado, sócia de um restaurante de frutos do mar em Santa Catarina, com unidades em Governador Celso Ramos, Florianópolis e Itapema, vive essa dinâmica diariamente. Ela comanda a cozinha, mas também lida com as peculiaridades de ter o filho como sócio e funcionário. "Tem hora que ele é meu sócio, tem hora que ele é meu funcionário, tem hora que ele é meu filho", comenta.
Limites claros são essenciais
A psicóloga Rosa Maria Maia Lavio de Oliveira ressalta que estabelecer limites claros é fundamental para que a relação familiar funcione no ambiente de trabalho. Os filhos precisam reconhecer a mãe como empreendedora e líder. "Se a mãe fala: 'você vai entrar tal hora e sair tal hora', você tem o horário de almoço e tal horário para voltar. Assim, a coisa funciona e a empresa cresce", explica. Quando os filhos não entendem seu papel, podem surgir desgastes, como sensação de privilégio entre funcionários e conflitos internos.
Histórias de empreendedoras
O restaurante de Josiane tem mais de 30 anos. Seu filho Guilherme Machado Sagas, de 25 anos, nasceu quando o negócio já tinha uma década. Durante a pandemia, ele trancou a faculdade de direito para se dedicar ao restaurante, trazendo ideias novas, o que gerou conflitos com a mãe. "Mesmo a gente 'se matando', a gente se ama ao mesmo tempo, porque a gente tem o mesmo propósito", diz Josiane. Guilherme, responsável pelo marketing, aprendeu que seu papel era fortalecer a marca, não mudar a essência. "Eu vejo ela como figura de mãe num momento e como sócia em outro. Mas sempre tendo o respeito de mãe", afirma.
Flexibilidade e convivência
Um estudo do Observatório de Negócios com o Sebrae Delas mostrou que, em 2022, 50,5% das empreendedoras brasileiras eram mães. A floricultura de Scheila Hames foi aberta antes do nascimento dos filhos, Kaique e Henrique, de 21 e 19 anos. Hoje, eles trabalham na loja, dividindo entregas e atendimentos. "A gente passa muito tempo junto. Eu gosto de passar tempo com a família", diz Henrique. Scheila adaptou-se para saber quando ser mãe e quando ser chefe, aproveitando a intimidade para trocar conhecimentos e fazer o negócio crescer.
Confiança e admiração
A psicóloga Rosa Maria explica que a confiança mútua fortalece a relação. "Se eu confio no meu filho, meu filho confia em mim, enquanto mãe e empreendedora, a relação fica mais forte. Eles podem discutir abertamente, o que não é possível com um colaborador sem tanta liberdade. Esse vínculo familiar vem desde criança", afirma.
Realização de um sonho
Eva Fátima de Souza abriu uma papelaria em Florianópolis aos 61 anos, com a ajuda do filho Lucas Souza, designer. Lucas descobriu o dom da mãe para atender crianças. "Parece que aqui ela se encontrou. Ela gosta muito de criança, conversa, brinca. É um atendimento diferenciado", relata. Eva diz que não há discussões e que trabalhar com o filho é totalmente positivo. "Nossa relação sempre foi forte, com muita cumplicidade. Um faz parte da vida do outro em todos os momentos", conclui.



