Dados divulgados na segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério das Mulheres, revelam que as mulheres em Mato Grosso do Sul recebem, em média, 26,16% a menos que os homens. O levantamento, disponível no Painel do Relatório de Transparência Salarial, considerou empresas com 100 ou mais empregados.
Remuneração média e diferença salarial
Em dezembro de 2025, a remuneração média das mulheres nesses estabelecimentos foi de R$ 3.065,70, enquanto a dos homens alcançou R$ 4.151,02. A diferença de R$ 1.085,32 representa uma disparidade significativa, que se acentua quando analisada por recorte racial.
As mulheres negras tiveram rendimento médio de R$ 2.658,43, e as não negras, de R$ 3.706,03. Já os homens negros receberam, em média, R$ 3.701,36, e os não negros, R$ 5.067,47. Os dados mostram que as mulheres negras são as que recebem os menores salários no estado.
Cenário nacional
O quadro em Mato Grosso do Sul reflete a realidade brasileira. No setor privado do país, as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens. Apesar de a diferença ser menor que a estadual, a desigualdade persiste em todo o território nacional.
Participação feminina no mercado de trabalho
O relatório aponta que as mulheres ocupam 36,7% dos vínculos empregatícios nas grandes empresas do estado. Ao todo, são 83 mil dos 226,1 mil postos de trabalho. O levantamento também destaca o crescimento no número de mulheres pretas e pardas empregadas: entre 2023 e 2025, houve um aumento de 29% no país, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos, o que equivale a mais de 1 milhão de novas contratações formais.
Em Mato Grosso do Sul, o relatório contabiliza 652 estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores, responsáveis por 226,1 mil vínculos. Desse total, 83 mil são ocupados por mulheres, sendo 50 mil por mulheres negras (60,2%) e 32,9 mil por mulheres não negras (39,6%). Entre os homens, são 143,1 mil vínculos, com 95,1 mil ocupados por negros (66,4%) e 48 mil por não negros (33,5%).
Os números evidenciam a necessidade de políticas públicas e ações empresariais para reduzir a desigualdade salarial de gênero e raça no estado e no país.



