Morador descobre que pagava energia de ponto turístico após conta disparar em Lages
Um morador de Lages, na Serra de Santa Catarina, passou por uma situação inusitada ao descobrir que estava pagando a energia elétrica de um ponto turístico da cidade. A revelação ocorreu após ele observar um aumento drástico em suas contas de luz, que saltaram de aproximadamente R$ 120 para mais de R$ 615 mensais, representando um incremento superior a 400% em seu custo habitual.
Descoberta do "gato" elétrico no Morro da Cruz
Marcos Roni de Oliveira, proprietário de uma chácara no Morro da Cruz – local que atrai visitantes de diversas regiões do país – relatou ao g1 que sempre teve um consumo reduzido de energia. Residente no local desde a década de 1980, ele possui poucos eletrodomésticos e costumava pagar cerca de R$ 120 por mês. No início de 2024, as faturas começaram a chegar com valores exorbitantes, gerando preocupação.
"O meu consumo era muito pequeno, eu gasto pouco. Eu moro sozinho, só tem uma geladeira e uma televisãozinha, que só ligo meia hora. E começou a vir um valor alto, alto, alto. E eu disse: 'Meu Deus, o que está acontecendo?' Fiquei preocupado", comentou Oliveira.
Inicialmente, ele suspeitou de algum defeito em seus aparelhos eletrônicos. Contudo, quando a conta do mês seguinte veio ainda mais elevada, decidiu chamar um técnico. Foi então que descobriu a ligação clandestina: ao desligar o relógio de sua casa durante a noite, todas as luzes do ponto turístico se apagavam, comprovando que a iluminação da capela e da cruz estava conectada à sua rede particular.
Ação judicial resulta em indenização superior a R$ 11 mil
O morador ingressou com uma ação judicial contra o município, e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) emitiu uma decisão favorável neste mês. Conforme consta no documento, a prefeitura utilizava indevidamente a rede elétrica do consumidor doméstico para iluminar o monumento no Morro da Cruz.
A Vara da Fazenda da comarca de Lages determinou que o homem seja indenizado em mais de R$ 10 mil por danos morais e materiais, além do ressarcimento de R$ 1.409,72 referentes às contas de luz cobradas a mais e ao serviço do eletricista contratado. No total, o valor ultrapassa os R$ 11 mil, cabendo recurso da decisão.
O TJSC destacou que nenhuma providência havia sido tomada pela administração pública mesmo após o morador procurar resolver o problema diretamente. Os fatos ocorreram ao longo de três meses, nos quais foram efetuadas cobranças indevidas.
Posicionamento da prefeitura de Lages
Em nota oficial, a prefeitura de Lages informou que acompanha o caso e "adotará as medidas cabíveis para resguardar os interesses do município". A administração municipal ressaltou que a ação judicial trata de eventos ocorridos em 2024, anteriores à atual gestão, e que atua com responsabilidade, respeitando o devido processo legal e o direito dos cidadãos.
"A atuação ocorre com responsabilidade, respeito ao devido processo legal e ao direito de todo cidadão de buscar a apuração de eventuais direitos", afirmou a prefeitura em seu comunicado.
Impacto no cotidiano e no patrimônio público
Este caso evidencia uma falha grave na gestão de serviços públicos, onde um cidadão foi obrigado a arcar com custos que não lhe competiam. A situação não apenas causou prejuízos financeiros significativos, mas também gerou transtornos e insegurança para o morador, que viu sua rotina afetada pelo susto das contas elevadas.
O Morro da Cruz, conhecido por sua vista panorâmica e atrativos religiosos, continua sendo um importante ponto turístico da região serrana de Santa Catarina. No entanto, o episódio serve como alerta para a necessidade de fiscalização adequada e transparência na administração de bens públicos, garantindo que os contribuintes não sejam penalizados por erros de terceiros.



