Mãe de Miguel Otávio renova cobrança por justiça após quase seis anos da tragédia
Quase seis anos após a morte de Miguel Otávio Santana da Silva, sua mãe, Mirtes Renata, voltou a manifestar publicamente sua angústia com a lentidão do processo judicial. Em um desabafo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, ela expressou profunda frustração com o andamento do caso que condenou sua ex-patroa, Sari Corte Real, pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte.
Sentimento de impunidade e contrastes de vida
Mirtes Renata descreveu uma sensação esmagadora de impunidade, destacando os contrastes entre sua realidade e a da condenada. "Sari segue vivendo sua vida normalmente. Viaja, tira férias na Europa com seus filhos, faz planos, segue sorrindo. Eu preciso lutar por justiça e para que meu neguinho não seja esquecido", escreveu emocionada.
Ela continuou: "Ela leva os filhos para conhecer Paris. Eu vou ao cemitério para ver meu filho. Condenada, mas livre para viajar e ter tempo em família. E eu, sem o cumprimento da sentença, condenada a viver sem meu filho".
Questionamentos ao Tribunal de Justiça de Pernambuco
A mãe de Miguel direcionou perguntas diretas ao Tribunal de Justiça de Pernambuco sobre o julgamento dos recursos que mantêm o caso em aberto:
- Quando será marcada a data do julgamento dos recursos?
- Quando teremos uma resposta que realmente represente justiça?
- Quando a condenação deixará de ser apenas no papel?
Relembrando a tragédia de 2020
O caso ocorreu em 2 de junho de 2020, no Condomínio Píer Maurício de Nassau, no Centro do Recife. Mirtes havia descido para passear com o cachorro da família para quem trabalhava, deixando Miguel no apartamento. Imagens de segurança registraram o momento crucial:
- O menino entrou sozinho no elevador após a porta ser fechada
- O equipamento parou no nono andar
- Miguel saiu da cabine e caminhou até uma área próxima aos aparelhos de ar-condicionado
- O menino caiu do prédio e morreu ao dar entrada no hospital
Trajetória processual e condenações
Sari Corte Real foi presa em flagrante e inicialmente autuada por homicídio culposo. Após pagar fiança, foi liberada. O processo seguiu seu curso:
- Em maio de 2022: Condenada a oito anos e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte
- Em novembro de 2023: A pena foi reduzida para sete anos
- A defesa recorreu, mantendo o caso sem trânsito em julgado
Desdobramentos trabalhistas e busca por justiça
Além do processo criminal, Sari Corte Real e o ex-prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, respondem a uma ação trabalhista relacionada à contratação de Mirtes e de sua mãe durante a pandemia. A família de Miguel chegou a obter decisão favorável com indenização de R$ 1 milhão, mas a medida foi suspensa pelo Superior Tribunal de Justiça em setembro de 2024.
Desde 2021, Mirtes Renata cursa Direito para acompanhar de perto todos os desdobramentos do caso. Enquanto os recursos tramitam nos tribunais, ela mantém firme sua determinação em cobrar que a condenação seja efetivamente cumprida, garantindo que a memória de seu filho não caia no esquecimento e que a justiça finalmente prevaleça.



