TSE determina cassação imediata de mandato de deputado Rodrigo Bacellar no Rio
TSE cassa mandato de deputado Rodrigo Bacellar no Rio de Janeiro

TSE ordena cassação imediata de mandato de deputado Rodrigo Bacellar no Rio de Janeiro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta quarta-feira (25) a cassação imediata do mandato do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), que estava afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A decisão judicial abre caminho para que os deputados estaduais elejam um novo presidente da Casa, que automaticamente assumirá o governo estadual, atualmente sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.

Processo eleitoral e consequências políticas

De acordo com a Constituição estadual, a Alerj dispõe de seis sessões para eleger um novo líder. Esse parlamentar será responsável por conduzir a eleição indireta para a escolha do governador-tampão, que administrará o Palácio Guanabara até dezembro. A determinação do TSE foi formalizada durante a leitura da ata da sessão de terça-feira (24), quando Bacellar foi condenado, juntamente com o ex-governador Cláudio Castro (PL), por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

O caso envolve o chamado escândalo da "folha secreta de pagamento", revelado pelo portal UOL. Na sessão de terça, a proclamação do resultado pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, havia gerado dúvidas, pois ela não se pronunciou diretamente sobre a perda imediata do cargo do deputado. Essa decisão é crucial nas articulações políticas em curso para o mandato-tampão e tem relação direta com o tempo de permanência de Ricardo Couto como governador interino, período que os deputados desejam reduzir ao máximo.

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Dúvidas e esclarecimentos durante o julgamento

Ao ser questionada pelo ministro Floriano de Azevedo Marques sobre esse ponto, Cármen Lúcia deu a entender que o assunto "perdeu objeto". Pela fala, ela parecia se referir apenas a Castro e ao vice Thiago Pampolha, que renunciou no ano passado para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE). "É melhor esperar a publicação [do acórdão], até para os advogados...", disse ela, sem concluir a frase.

A ministra também fez referência ao voto da relatora Isabel Gallioti, que não está mais na Corte, apresentado no ano passado. A ex-ministra havia defendido a perda imediata do mandato. "Naquele caso havia perda de mandato. Como houve a renúncia...", afirmou Cármen, sem voltar ao tema e sem mencionar Bacellar. Após o fim da sessão, persistiam dúvidas sobre a situação do deputado entre ministros, advogados e assessores presentes.

  • Um ministro e um assessor afirmaram que a perda seria imediata, com retotalização dos votos.
  • Três magistrados e dois advogados, ouvidos sob reserva, disseram que faltava clareza sobre essa conclusão e que seria necessário aguardar a publicação do acórdão do julgamento.

Cenário político e sucessão estadual

A expectativa dos deputados é que, com a perda de mandato, uma nova eleição para a presidência da Assembleia seja realizada o quanto antes. Deputados da base de Cláudio Castro já articulam o cenário sem Bacellar. A intenção é eleger o deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo para a eleição de outubro, como presidente da Alerj.

Para o mandato-tampão, o nome mais cotado desse grupo é o deputado Guilherme Delaroli (PL), atual presidente em exercício da Casa. O deputado Chico Machado (Solidariedade), aliado de Bacellar, já se apresentou como pré-candidato. Ele deve contar com apoio velado do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato para a eleição de outubro.

Contexto histórico e desdobramentos recentes

A desintegração da cadeia sucessória começou em maio do ano passado, quando Cláudio Castro convenceu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a deixar o cargo para assumir uma cadeira no TCE, abrindo espaço para Bacellar, então presidente da Assembleia. O plano previa a renúncia de Castro para se candidatar ao Senado, com Bacellar sendo escolhido pela Alerj em eleição indireta como governador-tampão para concorrer à reeleição em outubro.

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O plano se desfez quando Bacellar foi preso e afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de vazar informações da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Bacellar nega as acusações. Ele foi substituído por Delaroli no comando da Assembleia, mas, por ser interino, Delaroli não pode assumir o governo estadual em caso de vacância dos cargos de governador e vice.