7 mulheres denunciam líder religioso por estupro e violência psicológica em Fortaleza
Líder religioso preso por estupro e violência psicológica

Um líder religioso de 49 anos foi preso em Fortaleza após ser acusado por pelo menos sete mulheres de crimes graves, incluindo estupro, violação sexual mediante fraude e violência psicológica. O caso, que choca a comunidade, envolve alegações de abuso de poder dentro de um terreiro de umbanda.

Modus operandi: a manipulação pela fé

De acordo com os relatos das vítimas, que tiveram suas identidades preservadas, Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, conhecido como "Pai Nivaldo de Oxóssi", se aproveitava de sua posição de liderança espiritual para ganhar a confiança das mulheres. Ele criava situações com justificativas religiosas para, posteriormente, cometer os crimes.

"Depois que ele via que a pessoa tinha uma confiança, ele começava com a questão dos abusos psicológicos. À medida que ele via que tinha brecha, ia tentando o abuso sexual", contou uma das mulheres. O líder religioso inventava trabalhos espirituais, como "banhos de descarrego" ou "banho de axé", para forçar as filhas de santo mais novas a ficarem nuas, alegando estar incorporado por uma entidade.

Abusos em múltiplos locais e humilhação pública

Os abusos não se limitavam ao terreiro. Nivaldo convencia as mulheres a comparecerem em locais como cachoeiras, praias desertas ou até nas próprias casas das vítimas para a realização dos supostos rituais. A intimidação também era uma ferramenta constante.

"Ele utilizava muito da humilhação durante as reuniões. Se elas não respondessem na hora que ele queria, na próxima reunião já era colocada na frente de todo mundo e era feita toda humilhação", desabafou uma das denunciantes. Outra vítima destacou que o pai de santo dificultava a presença de homens no terreiro, preferindo manter apenas mulheres, o que facilitava suas investidas.

Extorsão financeira e a coragem das vítimas

Além do assédio sexual, as mulheres afirmam que eram obrigadas a fazer pagamentos vultosos ao líder, com a promessa de prosperidade que nunca se concretizava. "Ele falava que a gente tinha que dar tudo para a entidade, para ela devolver muito maior para a gente", relatou uma delas.

Após se afastarem do terreiro e conversarem entre si, as mulheres descobriram que não estavam sozinhas. Juntas, buscaram ajuda da polícia e da Associação Marta, que presta apoio jurídico. "Trouxeram relatos de estelionato religioso, de estupro de vulnerável, de extorsão. É um caso muito complexo", afirmou a advogada Andressa Esteves, elogiando a força e a coragem das vítimas.

Prisão, defesa e posicionamento da entidade

A prisão de Nivaldo ocorreu na última quinta-feira (15), em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em dezembro do ano passado pela 10ª Vara Criminal de Fortaleza. O suspeito atua na diretoria da União Espírita Cearense de Umbanda (UECUM).

A entidade emitiu uma nota dizendo ter recebido a informação "com surpresa" e "serenidade", reiterando "total confiança na inocência do associado". A defesa do líder religioso afirmou que ele nega categoricamente as acusações, declarando-se alvo de falsas denúncias motivadas por vingança, e aguarda acesso aos autos do processo, que tramita em segredo de justiça.