Justiça executa ordem de despejo em área disputada no bairro Mecejana, em Boa Vista
Nesta terça-feira (3), a Justiça de Roraima cumpriu uma decisão que concede à empresa Frangonorte o direito de assumir uma extensa área de 37 mil metros quadrados, localizada atrás de um hotel na avenida Glaycon de Paiva, no bairro Mecejana, zona Sul de Boa Vista. A medida, conhecida como imissão na posse, é um instrumento legal utilizado quando o proprietário busca tomar posse do imóvel pela primeira vez, e previa a retirada de famílias que residem em pelo menos cinco casas construídas no local.
Operação reúne oficial de Justiça, representantes da empresa e policiais ambientais
Por volta das 8h, uma equipe composta por um oficial de Justiça, representantes da Frangonorte e policiais militares da Companhia Independente de Policiamento Ambiental da Polícia Militar de Roraima (Cipa) chegou ao local para executar a ordem. No entanto, a operação foi encerrada às 15h50 sem que nenhum imóvel fosse demolido. Durante todo o dia, o clima foi de insegurança e apreensão, com moradores estacionando carros em frente às casas na tentativa de impedir possíveis demolições.
Para facilitar o acesso de máquinas como tratores, a equipe derrubou tapumes de zinco que dividiam os imóveis, aumentando a tensão entre os residentes. Muitas famílias expressaram medo de ver suas casas destruídas, em um cenário que mistura disputa judicial e incerteza sobre o futuro.
Disputa judicial se arrasta desde 2012 sem acordos de indenização
De acordo com relatos dos moradores, o processo judicial teve início em 2012, quando o proprietário da Frangonorte se apresentou como dono da área. Eles afirmam que, ao longo desses anos, a empresa nunca ofereceu qualquer tipo de acordo que envolvesse indenização ou a possibilidade de permanência no local, o que agrava a situação de vulnerabilidade das famílias.
O caso tramita na 3ª Vara Cível de Roraima e tem envolvido múltiplas partes. Em meio à disputa, a Defensoria Pública do estado acionou a Justiça para garantir a permanência de seis famílias que vivem na área há, pelo menos, 15 anos. Em dezembro de 2025, uma decisão judicial autorizou que essas famílias continuassem no local, o que significa que a medida cumprida nesta terça-feira não deve afetá-las diretamente.
Defensoria Pública atua para proteger direitos de moradores antigos
A intervenção da Defensoria Pública tem sido crucial para assegurar que as famílias com longa residência no local não sejam desalojadas sem a devida proteção legal. Essa ação destaca a complexidade do conflito, que envolve direitos de propriedade, questões de moradia e a atuação de instituições públicas em defesa de grupos vulneráveis.
Embora a ordem de despejo tenha sido executada, a ausência de demolições imediatas deixa um cenário de incerteza. Os moradores seguem apreensivos, enquanto a Frangonorte busca consolidar seu direito sobre a área. O desfecho desse caso poderá estabelecer precedentes importantes para disputas semelhantes em Roraima e em outras regiões do Brasil.



