Juiz de imigração dos EUA bloqueia deportação de estudante pró-Palestina preso durante governo Trump
Um juiz de imigração dos Estados Unidos rejeitou categoricamente a tentativa do governo do ex-presidente Donald Trump de deportar o estudante da Universidade de Columbia, Mohsen Mahdawi. O jovem foi preso no ano passado após participar ativamente de protestos pró-Palestina em campi universitários, tornando-se um dos casos mais emblemáticos da política migratória da administração anterior.
Decisão judicial representa vitória para ativistas acadêmicos
Advogados de Mahdawi apresentaram nesta terça-feira (17) um documento detalhado a um tribunal federal de apelações em Nova York, explicando a ordem judicial que garantiu sua libertação da custódia de imigração em abril. Este caso marca o mais recente exemplo em que um juiz de imigração rejeita ações vinculadas ao amplo esforço do governo Trump para deter e deportar estudantes estrangeiros com posições pró-Palestina ou anti-Israel que participaram de ativismo universitário.
A juíza de imigração Nina Froes, sediada em Chelmsford, Massachusetts, emitiu uma decisão em 13 de fevereiro afirmando que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos não conseguiu comprovar que Mahdawi era passível de deportação. Segundo a magistrada, a tentativa de remoção se baseou em um documento não autenticado assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, o que enfraqueceu substancialmente a argumentação governamental.
Reação do estudante e possíveis recursos
"Esta decisão é um passo importante para defender aquilo que o medo tentou destruir: o direito de falar pela paz e pela justiça", declarou Mahdawi em comunicado emocionado após a decisão. O Departamento de Segurança Interna não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência Reuters, mas especialistas indicam que o governo pode contestar a decisão da juíza no Conselho de Apelações de Imigração, órgão vinculado ao Departamento de Justiça dos EUA.
Mohsen Mahdawi, nascido e criado em um campo de refugiados na Cisjordânia, foi preso em abril de 2025 ao comparecer a uma entrevista de rotina sobre seu pedido de cidadania americana. Um juiz determinou rapidamente que o governo Trump não poderia deportá-lo dos Estados Unidos nem removê-lo do estado de Vermont, onde residia. Após duas semanas detido, Mahdawi deixou o tribunal federal em Burlington, Vermont, depois que o juiz distrital Geoffrey Crawford ordenou sua libertação imediata.
Contexto mais amplo de casos similares
Este não é um caso isolado. Em 29 de janeiro, um juiz de imigração encerrou o processo de deportação iniciado pelo governo contra a estudante de doutorado da Universidade Tufts, Rumeysa Ozturk, que havia sido alvo após coassinar um artigo de opinião criticando a resposta da universidade à guerra de Israel em Gaza. No mês passado, um juiz federal em Boston decidiu que o governo havia adotado uma política ilegal de deter e deportar acadêmicos como Ozturk e Mahdawi, ação que teria inibido significativamente a liberdade de expressão de estrangeiros nas universidades americanas.
O Departamento de Justiça já recorreu dessa decisão, indicando que a batalha legal sobre os direitos de ativistas acadêmicos estrangeiros continua nos tribunais americanos. Esses casos destacam as tensões persistentes entre políticas de segurança nacional, liberdade de expressão acadêmica e direitos imigratórios nos Estados Unidos.



