O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), manifestou sua expectativa de que não haja uma nova onda migratória de venezuelanos para a capital paulista após a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. Em declarações a jornalistas, Nunes afirmou que a cidade receberia todos "com muito carinho", mas ponderou sobre a necessidade do deslocamento no novo cenário político.
Posicionamento do prefeito e cenário atual
"Espero que não venham, até porque agora eles não têm necessidade, tendo em vista estar preso esse ditador Nicolás Maduro, amigo do Lula", declarou o prefeito. Ele completou dizendo que, caso os imigrantes cheguem, "a cidade de São Paulo vai receber a todos com muito carinho, como sempre fez".
Nunes também se posicionou sobre a operação militar norte-americana, classificando como "demagogia" as críticas que se baseiam no direito internacional mas ignorariam, em sua visão, "o direito da dignidade humana" violado pelo que chamou de ditadura chavista.
Atualmente, a rede assistencial da cidade de São Paulo abriga 1.009 cidadãos venezuelanos, todos alocados em centros exclusivos para famílias estrangeiras. O município dispõe de aproximadamente 27 mil vagas em abrigos municipais, sendo que 21 mil já estão ocupadas.
Dados da imigração venezuelana no Brasil
Desde 2018, a Operação Acolhida, do governo federal, já recebeu mais de 155 mil venezuelanos que ingressaram no Brasil pela fronteira com Roraima. O programa coordena a interiorização desses cidadãos para distribuir a demanda por serviços públicos.
Nesse período, São Paulo foi a segunda cidade que mais recebeu imigrantes pelo programa, com 6.241 pessoas, ficando atrás apenas de Curitiba, que acolheu 8.930. Em nível estadual, Santa Catarina lidera o ranking, sendo o destino de 34.331 cidadãos venezuelanos, seguido pelo Paraná (29.737), Rio Grande do Sul (23.650) e pelo estado de São Paulo (16.538).
Contexto internacional e contradição brasileira
A prisão de Nicolás Maduro ocorreu no último sábado, 3 de janeiro de 2026, em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. Maduro, que governou a Venezuela por treze anos ininterruptos (2013-2026), foi enviado para Nova York, onde responde a acusações de narcotráfico, conspiração para importação de cocaína e posse ilegal de armas.
A ação gerou forte reação de líderes de esquerda na América Latina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva a definiu como uma "afronta gravíssima" à soberania e uma "flagrante violação do direito internacional". Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha emitiram uma declaração conjunta condenando a operação e exigindo uma solução pacífica para a crise.
Com a prisão de Maduro, o governo venezuelano passou a ser chefiado pela vice-presidente Delcy Rodríguez. O Brasil reconheceu sua autoridade, o que expõe uma contradição na política externa do governo Lula. O Itamaraty não havia reconhecido a vitória eleitoral de Maduro em 2024, em eleições marcadas por denúncias de fraude e coerção. Portanto, o endosso à vice que concorreu na mesma chapa do presidente considerado ilegítimo pelo Brasil gera um imbróglio ainda não esclarecido pelas autoridades.