EUA enviam 15 imigrantes peruanos e equatorianos para Congo em acordo polêmico
Agentes do ICE, a agência de imigração e alfândega dos Estados Unidos, atuam no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York — Foto: Ryan Murphy/AP. A República Democrática do Congo recebeu na madrugada desta sexta-feira, 17 de abril, um grupo de 15 imigrantes expulsos dos Estados Unidos, segundo informações confirmadas pela agência France Presse (AFP).
Detalhes da chegada dos imigrantes
Os imigrantes, com origens peruana e equatoriana conforme fontes do entorno da Presidência congolesa, chegaram em um avião procedente dos Estados Unidos que pousou às 23h55 de 16 de abril, no horário local, no aeroporto de Ndjili, em Kinshasa. O grupo é composto por sete mulheres e oito homens, sendo o primeiro a ser enviado ao país africano como parte de um acordo controverso firmado entre as nações.
Acordo entre EUA e Congo envolve recursos minerais
O acordo permite que os Estados Unidos enviem estrangeiros em situação irregular para a República Democrática do Congo, em troca de apoio financeiro e logístico de Washington. Mais significativamente, o Congo concedeu acesso aos recursos minerais estratégicos do país, cruciais para a indústria eletrônica mundial, como parte do entendimento. O Ministério das Comunicações do Congo confirmou a chegada, afirmando que os indivíduos foram admitidos com autorizações de permanência de curta duração, seguindo o cronograma estabelecido pelas autoridades.
Resposta humanitária e perspectivas futuras
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que o governo congolês solicitou ajuda humanitária para os 15 imigrantes. A organização planeja oferecer retorno voluntário assistido àqueles que assim solicitarem. Fontes indicam que outras pessoas expulsas dos Estados Unidos devem chegar em breve a Kinshasa, a um ritmo de cerca de 50 por mês, ampliando o impacto deste acordo.
Contexto regional e críticas ao acordo
O envio de imigrantes para países africanos, muitos deles originários de outros continentes como América do Sul e Ásia, tem sido alvo de críticas devido à falta de transparência. Autoridades dos países receptores fornecem poucas informações sobre a situação desses indivíduos. Além disso, a República Democrática do Congo enfrenta conflitos há mais de 30 anos em sua região leste, onde esforços de estabilização, inclusive com envolvimento internacional, não têm produzido resultados concretos.
Este caso destaca as complexidades das políticas migratórias globais e os acordos bilaterais que podem priorizar interesses econômicos sobre questões humanitárias, levantando debates sobre ética e direitos dos imigrantes em cenários internacionais.



