Correios encerram hoje prazo para adesão ao PDV com baixa procura de funcionários
PDV dos Correios termina hoje com adesão baixa de funcionários

Prazo para adesão ao PDV dos Correios termina nesta terça-feira com baixa procura

Termina à meia-noite desta terça-feira (7) para quarta-feira (8) o prazo final para adesão ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) dos Correios. A empresa, que enfrenta uma crise histórica com 13 trimestres seguidos de déficit, já confirmou que não haverá nova prorrogação nem reabertura do programa.

Meta não alcançada e números abaixo do esperado

O prazo original do PDV terminaria em março, mas diante da baixa procura, a estatal concedeu mais uma semana para os funcionários. Com o plano de desligamento voluntário, a empresa esperava que 10 mil funcionários deixassem os Correios em 2026 e outros 5 mil em 2027. No entanto, os números ainda não estão fechados – o PDV só termina à meia-noite –, mas os Correios já sabem que a adesão foi baixa: pouco mais de 3 mil funcionários.

PDV como parte do plano de recuperação

O PDV era uma das medidas do programa de recuperação dos Correios, anunciado no fim de 2025. Além disso, a estatal pretende reorganizar cargos, ajustar os planos de saúde e a previdência dos servidores, e leiloar imóveis. Todas essas ações visam tentar reverter uma crise sem precedentes na história da empresa.

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Medidas adicionais de reestruturação

Os Correios detalharam nesta terça-feira (7) algumas das medidas do plano de reestruturação:

  • Venda de imóveis: Até o momento, 11 imóveis da estatal foram vendidos, com arrecadação de R$ 11 milhões. A empresa espera arrecadar R$ 1,5 bilhão com leilões de imóveis.
  • Fechamento de agências: Foram fechadas 127 agências em todo o país, com expectativa de fechar ou reestruturar mil até o fim de 2026.
  • Economia anual: Outras medidas adotadas no primeiro trimestre representam uma economia de mais de R$ 500 milhões por ano.

Críticas de especialistas e cenário financeiro

Economistas, no entanto, afirmam que essas medidas são insuficientes. Até setembro de 2025, o déficit dos Correios era de mais de R$ 6 bilhões. O resultado final de 2025 ainda não foi divulgado, mas a tendência é que o ciclo de prejuízos se mantenha.

"O plano foi ambicioso demais também. Então, as metas foram muito ambiciosas, e por isso não puderam ser cumpridas. Temos que entender que algumas áreas onde os Correios atuam hoje são inviáveis para os Correios", afirma Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP.

"A solução da crise dos Correios é a privatização. A gente não tem como fugir disso. O próprio programa, que já não era suficiente para colocar a empresa no lucro, está sendo cumprido na base de 1/3, 1/4 do que foi almejado. Então, de novo, o prejuízo vai continuar, o contribuinte vai continuar tendo que bancar esse prejuízo, e não há uma solução fácil à vista nesse caminho, pela dificuldade que é para uma empresa estatal fazer uma reestruturação desse tamanho", diz Armando Castelar, pesquisador associado FGV-IBRE.

Perspectivas futuras e desafios

Com a adesão baixa ao PDV e as medidas de reestruturação enfrentando críticas, os Correios continuam em um cenário desafiador. A empresa busca alternativas para equilibrar suas finanças, mas especialistas alertam para a necessidade de mudanças mais profundas, possivelmente incluindo a privatização, para resolver a crise de forma sustentável.

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