Governo Lula envia projeto para acabar com escala 6x1, mas rejeita compensação financeira às empresas
Governo envia PL para fim da escala 6x1 sem compensação às empresas

Governo federal avança com projeto para eliminar escala 6x1 no país

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou formalmente ao Congresso Nacional um projeto de lei que visa pôr fim à escala de trabalho 6x1, que estabelece seis dias laborais seguidos por um de descanso. A iniciativa ocorre paralelamente à tramitação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) sobre o mesmo tema na Câmara dos Deputados, demonstrando a prioridade do Executivo na redução da jornada de trabalho.

Posição firme contra compensações financeiras

A ala econômica do governo deixou claro que não pretende discutir contrapartidas financeiras diretas às empresas caso alguma das proposições seja aprovada. Interlocutores da área afirmam que, embora o governo esteja aberto a debater formas de mitigar impactos, como regras de transição progressivas, há forte oposição à ideia de compensar empresários por eventuais perdas decorrentes da redução da jornada.

O projeto enviado pelo Executivo altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e outras legislações infraconstitucionais, exigindo apenas maioria simples para aprovação, diferentemente das PECs que demandam quórum mais amplo. Esta estratégia busca acelerar o processo legislativo, conforme acertado em reunião entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

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Relator sugere compensações fiscais e transição gradual

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado Paulo Azi (União-BA) apresentou relatório favorável ao avanço das propostas, sugerindo medidas para adaptação do setor produtivo. Ele propôs uma regra de transição progressiva, com prazos diferenciados conforme porte e tipo da empresa, e mencionou a possibilidade de compensações fiscais, como redução de tributos sobre a folha de pagamento.

"Uma possibilidade para mitigar estes riscos da redução da jornada é fazer compensações fiscais, ou seja, reduzir tributos, especialmente sobre a folha, para os agentes que reduzirem sua jornada", destacou Azi, citando exemplos de países europeus. No entanto, após a leitura do relatório, o deputado da oposição Lucas Redecker (PSD-RS) pediu vista, adiando a votação por até 15 dias.

Preocupações do setor produtivo e debate sobre produtividade

Representantes do setor produtivo alertam que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais implicará aumento significativo de custos, prejudicando a competitividade das empresas e a geração de empregos. Estudo da Fecomércio apresentado por Azi estima um custo adicional de R$ 158 bilhões sobre a folha de pagamentos em cenário conservador.

Economistas argumentam que o debate deve ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade, que viriam com maior qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em infraestrutura. O governo mantém diálogo com o Congresso, como evidenciado pela reunião entre o ministro José Guimarães e Hugo Motta para tratar das propostas, mas insiste na necessidade de equilibrar direitos trabalhistas com sustentabilidade econômica.

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