Pescadores de Cachoeira de Emas enfrentam crise financeira com atraso no seguro defeso
Atraso no seguro defeso afeta pescadores de Pirassununga

Pescadores de Cachoeira de Emas enfrentam crise financeira com atraso no seguro defeso

Uma situação de extrema dificuldade financeira atinge os pescadores profissionais de Cachoeira de Emas, localizada no município de Pirassununga, interior do estado de São Paulo. O motivo central é o significativo atraso no pagamento do seguro defeso, um benefício governamental crucial que deveria ser disponibilizado durante o período de proibição da pesca, conhecido como Piracema.

Proibição da pesca terminou, mas o benefício não chegou

A Piracema, época dedicada à reprodução dos peixes, teve seu término oficial no final do mês de fevereiro. Desde o dia 1º de março, as atividades de pesca foram retomadas no Rio Mogi Guaçu. No entanto, para muitos pescadores da região, a volta ao trabalho não foi acompanhada pelo recebimento do seguro a que têm direito. O benefício consiste em quatro parcelas equivalentes a um salário mínimo, destinadas a amparar os profissionais durante os meses em que a pesca é vedada por lei.

Jonathan Nathan Leme, pescador com 15 anos de experiência na região, descreve a gravidade da situação. "O trabalho na pesca é a nossa única fonte de renda. A gente limpa o peixe, vende na rua, nas feirinhas, monta barraquinha. É assim que a gente vai vivendo", relata. Sem o seguro defeso, famílias inteiras enfrentam o aperto no orçamento doméstico.

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Falta de informação e problemas no sistema geram incerteza

Ao tentar verificar a situação do benefício no Portal Emprega Brasil, os pescadores se deparam com mensagens pouco esclarecedoras, como "aguardando análise" ou "não há recursos para o benefício". Essa falta de transparência aumenta a angústia e a insegurança da categoria.

O Ministério do Trabalho e Emprego informou que, até o dia 2 de abril, foram emitidas 11.889 parcelas do seguro defeso para todo o estado de São Paulo. Contudo, quando questionado especificamente sobre a previsão de pagamento para os pescadores de Cachoeira de Emas, o órgão federal não forneceu qualquer resposta ou esclarecimento, deixando a comunidade local sem perspectivas.

Mudança na gestão do benefício é apontada como causa dos atrasos

Fernando Henrique de Moura Picciarelli, representante dos pescadores e filho de profissional da área, atua voluntariamente ajudando colegas que têm dificuldades com acesso à tecnologia. Ele traça um histórico preocupante: os pagamentos eram realizados com regularidade quando a responsabilidade pelo seguro defeso era do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A situação mudou radicalmente após a transferência da gestão para o Ministério do Trabalho e Emprego, ocorrida em novembro de 2025. Desde então, muitos pescadores ficaram sem receber o benefício. "As dívidas se acumulam. É mercadinho, conta de luz, conta de água. Alguns pescadores já sofreram até corte de energia elétrica. E a pergunta que fica é: como faz?", questiona Picciarelli, destacando o impacto direto na qualidade de vida dessas famílias.

A crise expõe a vulnerabilidade de uma categoria profissional essencial para a economia local e para a cultura da região, que agora clama por uma solução urgente e pela regularização dos pagamentos em atraso.

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